domingo, 5 de fevereiro de 2012

J.EDGAR DE CLINT EASTWOOD













J.EDGAR, EUA/2011, 137 MIN. BIOGRAFIA
ELENCO:
LEONARDO DICAPRIO
NAOMI WATTS – HELEN GANDY
JOSH LUCAS

Clint Eastwood, aos quase oitenta e dois anos, oferece um excelente trabalho de pesquisa sobre esse personagem tão controverso, no amor e no ódio da política americana. J. Edgar foi o fundador do Bureau de Investigações Americano, em 1924, o conhecido F.B.I dos tempos atuais. Lá esteve por 44 anos, independentemente de quem fosse o presidente da república. Em 1919, quando jovem era um personagem ágil, inteligente e ambicioso influenciado por sua mãe que queria que fosse nada menos do que um herói e admirado pelas mulheres. O filme narra sua trajetória como funcionário da Justiça americana através dele mesmo, já velho, interpretado pelo estupendo Leonardo DiCaprio, em uma atuação espetacular. Ele dita para um funcionário do F.B.I. as várias fases de sua carreira. Durante sua juventude era totalmente contra o comunismo bolchevista e ardoroso defensor da democracia, único regime que garantiria a segurança de sua pátria. Com cenas documentais vemos que consegui vencer essa etapa, exilando estrangeiros radicais, e a cada dia ganhava mais crédito junto ao seu chefe. Depois lutou, durante a Lei Seca, contra os mafiosos que desordenavam a nação. Finalmente consegue que suas idéias sejam postas em prática, como não violar as cenas de crimes e manter um arquivo nacional com as digitais de todos os cidadãos para que os processos fossem mais facilmente resolvidos e as pessoas identificadas nacionalmente. Mantinha também um arquivo confidencial, guardado pela sua secretária, Helen Gandy (Naomi Watts) a quem pedira em casamento, mas recebera um não, mas será fiel a ele até que abandone o carga. Aí estava a vida de todos os políticos e inimigos pessoais. Além disso, oficializou a escuta telefônica através de grampos, que vieram ajudar a elucidar inúmeros crimes. Todo poderoso com relação aos gângsteres, entretanto, não conseguiu salvar o bebê sequestrado do famoso aviador Charles Lindbergh, que resolvera negociar diretamente com os criminosos. Sua carreira era formada de altos e baixos, com uma disposição inacreditável para o trabalho e passando por cima de tudo e todos para resolver suas pendências, tanto profissionais como pessoais, pois era uma pessoa extremamente controversa. No início de sua carreira como onipotente chefe do Bureau, conhece o seu segundo no F.B.I., Clyde Tolson (os gêmeos de A Rede Social) por quem se apaixona e mantém um relacionamento de 44 anos da maneira mais discreta possível, entretanto como um casal. Esse era um amor verdadeiro e quando, já idoso, seu belíssimo parceiro de alta posição social fica paralisado, vítima de um acidente vascular, ele continua a amá-lo e cuidá-lo de maneira casta e verdadeira. Clint mostra de forma genial o desenrolar psicológico desse homem tão singular, que engordando muito com os anos que se passam, cai vítima de seu estilo de vida e de suas obsessões. Ótimo documentário. A atuação de Leonardo DiCaprio e o trabalho de maquiagem são geniais, assim como performances excelentes de todo o elenco.

A SEPARAÇÃO DE ASGHAR FARHADI








JODAEIYE NADER AZ SIMIN – IRÃ – 2011, DRAMA, 123 MIN.
ELENCO:
SIMIN – LEILA HATAMI
NADER – PEYMAN MOADI
TERMEH – SARINA FARHADI
RAZIEH – SAREH BAYAT


Inacreditavelmente, o diretor Asghar Farhadi conseguiu que a censura permitisse a exibição desse drama familiar, assistido por milhares de pessoas no Irã. Um casal e sua única filha de 11 anos haviam decidido partir do país para tentar nova vida. Depois de conseguirem os vistos com muita dificuldade, Nader decide que não poderá mais viajar por causa de seu pai idoso e muito doente. As primeiras cenas ocorrem em frente a um juiz que não concede o divórcio requerido por Simin, para que possa partir com a filha. Ela irá morar com a mãe, temporariamente, e Termeh escolhe ficar com o avô e o pai, homem dedicado a filha e gentil com todos. Contudo ele precisa contratar uma doméstica, Razieh, para cuidar do idoso e fazer os serviços domésticos. Depois do primeiro dia isso se mostra impossível, pois é muito trabalho e ela teria de tocar o senhor para cuidá-lo. Sendo extremamente religiosa não poderia aceitar essa condição e além do mais carrega sua filha de quatro anos com ela e está grávida de outro bebê. Todo o sacrifício fora programado em segredo para ajudar seu marido desempregado e temperamental. O divórcio em si parece ser sem grandes consequências, mas não em um país islâmico e com regras do Corão, que são manipuladas conforme a situação. A presença de Razieh vai provocar uma série de tumultos, mentiras e desentendimentos, principalmente porque ela é empurrada porta a fora e, tendo um aborto, acusa o patrão de maus tratos e quer uma indenização. A filha muito sensível e Simin, decidida a não ceder a qualquer tipo de chantagem emocional, sofrerão muito durante esse tumulto, que exigirá uma grande compreensão e maturidade de ambas. Um processo será iniciado e junto com ele veremos as complicações para que se desvende a verdade sobre o caso e a vida particular de cada um desses personagens. Asghar Farhadi consegue fazer uma história de apelo universal, com excelente elenco, ganhando o Globo de Ouro e cotado para o Oscar como melhor filme estrangeiro. A filha do diretor na vida real, Sarina Farhadi mostra-se um elemento importantíssimo na obra, com sua sensível atuação. O filme ganhou o Urso de Ouro e o Urso de Prata para o quatro protagonistas. Imperdível! São 120 minutos de suspense e descobertas.

CAVALO DE GUERRA DE STEVEN SPILBERG





WAR HORSE, EUA, 2011, DRAMA DE GUERRA, 146 MIN.
ELENCO:
PETER MULLAN – PAI
EMILY WATSON – MÃE
JEREMY IRVINE – ALBERT

Inspirado no livro do inglês Michael Morpurgo, Spielberg dirige esse ótimo drama de guerra, com uma belíssima recriação da Inglaterra de 1914. Passa-se, portanto às vésperas e durante a Primeira Guerra Mundial, uma das mais sangrentas e violentas de todas. Um casal de fazendeiros, em Devon, aluga sua propriedade rural de um rico e inescrupuloso proprietário de terras. Encontram-se cobertos de dívidas e o solo, extremante pedregoso, não ajuda o cultivo. Peter Mullan precisa comprar um cavalo de trabalho para ajudar a arar a terra, mas ao deparar-se com um jovem puro sangue, durante um leilão, faz o impossível para adquiri-lo. Pensando ter feito a coisa certa, vê-se em uma situação difícil, pois o cavalo não aceita ser domesticado. Seu filho adolescente Albert, entretanto, era apaixonado por Joey desde seu nascimento, pedindo ao pai para que o deixe trabalhar com o animal. Uma intensa ligação surge entre os dois. Joey mostra-se inteligente e muito forte, conseguindo arrancar as pedras do solo e arar o campo, tirando a família do buraco. Com o início da Primeira Guerra Mundial, o casal é forçado a vendê-lo a um tenente inglês, que igualmente se apaixona pelo cavalo. A cavalaria tinha seus animais massacrados, por sua posição sempre à frente das batalhas e quando sobreviviam, já enfraquecidos, serviam para puxar canhões e outras armas pesadíssimas. Contudo, Joey sempre cai nas graças de quem o trata por sua forte personalidade. Em dado momento, Albert junta-se à cavalaria britânica, com o firme propósito de encontrar seu velho amigo. Com o decorrer da guerra Joey encontra abrigo, na França, passando a morar com um velho fazendeiro e sua neta, que adota o animal. Entretanto, após algum tempo, volta à guerra, mas desta vez para o lado inimigo. Depois de muito sofrimento, consegue desvencilhar-se do batalhão alemão e sai em busca da liberdade. É encontrado quase morto e enrolado em arames farpados. É um filme que procura emocionar a platéia, contudo tem um rico, mas previsível roteiro. Concorre no Globo de Ouro como melhor filme e trilha sonora. Fotografia e imagens de primeira qualidade. A animação As aventuras de Tintim, de Spielberg, também se encontra nas telas da cidade com boa cotação.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

TOMBOY DE CÉLINE SCIAMMA









DRAMA – FRANÇA 2011 – 82 MINUTOS
ELENCO:
ZOÉ HÉRAN – LAURE/MICHAËLL
MALONN LÉVANA – JEANNE

Esse ótimo filme da jovem diretora e roteirista Céline Sciamma ganhou o Teddy Bear, Urso de Ouro Gay, na Alemanha. O filme, de certo modo, conta as próprias dificuldades da escritora em sua infância. A família de Laure (magnífica Zoé Héran) muda-se para a periferia de Paris e lá chegando, a garota, que tinha problemas com sua sexualidade, resolve vestir-se de menino, Michaël, e cortar os cabelos bem curtos, com o consentimento dos pais, que achavam que era apenas uma brincadeira sem consequências. Com sua irmãzinha Jeanne tem um ótimo relacionamento e parte para buscar meninos de sua idade para brincar, uma vez que era adepta de esportes e jogava futebol muito bem. As principais cenas são filmadas em um bosque e lago, onde eles podiam brincar e se movimentar com muita naturalidade (curiosidade - essas crianças são amigas na vida rela de Zoé). Laure ensaia diante do espelho atitudes que a deixem parecida com os garotos, como cuspir, mostrar a língua, posturas masculinas de garotos pequenos. Sua irmã não se aborrece por ela se passar por menino e até a apóia, dizendo que é ótimo ter um irmão mais velho para protegê-la. Porém as férias chegam ao fim e ela terá de encarar os amigos na escola, vestida de menina. Após uma briga de crianças, sua mãe decide por fim à farsa e a leva para pedir desculpas aos amigos e à menina que se apaixonara por ela. A obra começa bem leve, com brincadeiras sem importância, mas chegando ao terço final, o tom sobe, pois vemos que é impossível para essa criança mudar sua sexualidade em formação. Tudo é feito de maneira leve e claríssima, para que não se pense que isso ocorre de uma hora para a outra na vida dos homossexuais. Belo filme!

O ESPIÃO QUE SABIA DEMAIS DE TOMAS ALFREDSON











TINKER, TAILOR, SOLDIER, SPY (soldador, alfaiate, soldado, espião)
REINO UNIDO-FRANÇA-ALEMANHA/2011, 127 MIN. SUSPENSE

ELENCO:
JOHN HURT - CONTROL
TOM HARDY - RICKI TARR
COLIN FIRTH - BILL HAYDO
GARY OLDMAN - GEORGE SMILEY
TOBY JONES - PERCY ALLELINE
DAVID DENCIK - TOBY ESTERHASE

Nada como ler um bom livro de suspense do mestre John Le Carré, principalmente O Espião que Sabia Demais (Tinker, Tailor, Soldier, Spy). Adaptado para o cinema, dirigido pelo premiado diretor sueco Tomas Alfredson do ótimo Deixa Ela Entrar e roteiro de Bridge O’Connor e Peter Straughan, este filme tem tudo para agradar – da fotografia, enredo, ao desempenho espetacular de um time de estrelas. Passa-se em 1973, durante os anos paranóicos da guerra fria entre Estados Unidos e União Soviética. O serviço de inteligência britânico vê-se compelido a chamar de volta um agente aposentado, George Smiley do M16, quando o chefe, John Hurt (Control), acredita que haja um agente duplo infiltrado entre seus principais homens. Uma operação na Bulgária havia sido abortada e George Smiley fora retirado do corpo de agentes secretos. Aceitando o atual cargo, seu chefe logo morre, um elemento a mais para concluir com sucesso sua missão. Agente denso e perspicaz vai fundo nas investigações explorando também o lado psicológico. O enredo é muito bem estruturado, com uso de flashbacks para melhor entendimento do público. Não é necessário dizer que toda atenção é requisitada para melhor compreensão das ações. A ambientação dos anos setenta é perfeita, com salas lotadas de arquivos e papéis soltos, telefones fixos, sexo, interrogatórios, uso constante de boots, ou telefones públicos e roupas impecáveis. Dinheiro público é gasto sem que se saiba bem para onde vai e o primeiro ministro é constantemente solicitado, temendo ter de apelar para os “primos” americanos. Os quatro agentes são de inteira confiança e achar o traidor não será tarefa fácil, tendo que investigar a passada ação mal sucedida. O título original é a designação que o chefe dava para cada um de seus colaboradores. O próprio Le Carré atuou como agente da M16 de 1960 a 1964, emprestando uma total credibilidade a seus livros. Com atuações excelentes e discretas e uma ótima direção é um filme imperdível para os amantes do gênero. O filme está muito bem cotado para o prêmio Bafta de filme britânico. John Le Carré vive hoje na Cornualha e teve vários livros adaptados e o que mais apreciou foi O Jardineiro Fiel dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

OS NOMES DO AM0R DE MICHEL LECLERC








LE NON DES GENS, FRANÇA/2010, 100 MINUTOS
COMÉDIA
ELENCO:
JACQUES GAMBLIN – ARTHUR MARTIN
SARA FORESTIER – BAHIA BENMAHMOUD

Em um roteiro bem interessante, bem interpretado e dirigido, os protagonistas iniciam o filme contando sobre suas raízes. Bahia é filha de um argelino e uma ex-hippie francesa. Teve uma infância monótona até que seus pais lhe arranjam um professor de piano e esse fato mudará suas perspectivas. Essa jovem se orgulha de sua linhagem, sendo feliz e totalmente fora dos padrões considerados de normalidade. Tem fortes convicções políticas de esquerda. Arthur Martin parece ser o típico cidadão francês já no início de seus cinquenta anos. Ele também é descendente de imigrantes, judeus, e em sua casa tudo era tabu e não se falava do passado. Até seu nome fora mudado. Tendo um jeitão de conservador passa a ser alvo de Bahia que gostava de mudar a posição política dos homens, graças a seus atributos físicos e inteligência. O roteiro do diretor vai explorar o preconceito racial atual na França, tanto político como social, fazendo disso uma comédia muito inteligente e pertinente. Arthur se encanta pelos atributos físicos de Bahia e também pelo seu modo espontâneo e aberto como vê a vida. Com o passar do tempo apaixonam-se, mas as famílias terão um papel fundamental para quase desestruturar as ambições dos apaixonados. O roteiro é muito divertido explorando piadas que esses imigrantes fazem de si mesmos. Muito bem interpretado e dirigido, o filme ganhou dois prêmios Cesar na França, como melhor atriz para a genial Sara e melhor roteiro. A atuação de Jacques Gamblin é impecável. Mais não se pode falar com risco de perder a graça.
Ótimo programa!

“UM DIA” DE LONE SCHERFIG










ELENCO:
ANNE HATHAWAY – EMMA
JIM STURGESS – DEXTER

Essa história de amor cujo roteiro e livro, bem alinhavados, são do escritor inglês David Nicholls baseada em seu último best-seller, compõem este filme. Os belos e bons protagonistas, junto com cenários interessantes e uma ótima fotografia contam a sina de colegas de universidade na escocesa Edimburgo, no ano de 1988. Em 15 de julho desse ano formam-se e vão parar na casa de Emma, que sempre tivera uma queda por Dexter. Apesar do clima nada rola, a não ser uma amizade e atração mútuas. Desse dia em diante passam a ver-se por quase 20 anos sempre no mesmo dia. Muito diferentes em tudo, Emma trabalha, agora, como garçonete em Londres e sonha ser uma escritora. O mulherengo Dexter é nascido em uma rica família e, sustentado pelos pais, acaba sendo apresentador de um programa de televisão noturno de gosto muito duvidoso e teor zero. Linda e competente, a tímida Emma acaba sendo a melhor amiga de Dexter apoiando-o e salvando-o de várias encrencas. Todo ano ao se reencontrarem percebem um forte sentimento amoroso que não deslancha nunca, apesar de terem tudo para ficarem juntos. Os pais de Dexter, inconformados com seu futuro, pressionam-no para mudar de rumo, sem sucesso. Emma, ao contrário, acabara namorando um colega de trabalho não realizado, mas tem seu apoio para mostrar seus escritos que virarão um livro de grande sucesso. Formada e profissionalmente realizada afasta-se um pouco do caminho de Dexter, que fora para a Índia e em seguida para a Europa, logo após a formatura, antes de voltar para casa. Sem amar suas namoradas, Dexter envereda-se por uma direção perigosa. Depois de muitos anos, reencontram-se e decidem que o melhor seria mesmo ficarem juntos. A felicidade do casal irradia-se por todos os lados e suas vidas ganham novo rumo. Ocorre que um drama os aguarda e isso quebra todo élan dos espectadores que seguem a história de amor. A continuação que se segue é bastante desnecessária, pois só prolonga uma trama que já deveria ter acabado. Bom programa com a atuação da sempre expressiva e grande atriz Anne Hathaway.