terça-feira, 9 de dezembro de 2014

ELSA & FRED DE MICHAEL RADFORD






ELSA & FRED, EUA, 2014, 94 MIN, COMÉDIA
ELENCO:
SHIRLEY MCLAINE – ELSA
CHRISTOPHER PLUMMER – FRED
Trata-se de uma refilmagem de um ótimo trabalho argentino feito em 2005 por Fred Carnevale. Shirley MacLaine, no alto de seus 80 anos, interpreta brilhantemente uma senhora de 74 anos, muito irrequieta, cheia de vida e que ainda sonha com um grande amor, que possa relembrá-la de seu filme favorito A Doce Vita e em especial da cena na Fontana de Trevi, onde Anita Ekberg, de vestido preto e cabelos platinados esvoaçantes, chama Marcelo Mastroiani para juntar-se a ela. Elsa mora sozinha em um edifício charmoso, quando vê Fred, um homem bonito, mas rabugento, mudar-se para seu andar. Assanhadíssima vai ao encontro dele, mas só ouve “nãos”. Viúvo está recluso ao mundo. Contudo essa mulher há de fazer de tudo para que fiquem amigos, conseguindo dobrá-lo com várias artimanhas, dentre elas mentiras encantadoras. Com o passar do tempo eles se tornam mais do que bons amigos e partem para realizar seu sonho máximo, entrar na Fontana de Trevi. As cenas são hilárias e vale o filme. Plummer tornou-se um senhor muito charmoso e aprumado. Vale a pena assistir essa comédia sem improbidades e com muitas verdades. Michael Radford, diretor e roteirista britânico de sucesso, acertou em cheio na filmagem e escolha de elenco, fazendo uma homenagem merecida a Fellini.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

BOA SORTE DE CAROLINA JABOR




BRASIL, 2014, 86 MIN., DRAMA
ELENCO:
DEBORAH SECCO – JUDITE
JOÃO PEDRO ZAPA – JOÃO
FERNANDA MONTENEGRO – AVÓ DE JUDITE
Em seu primeiro longa metragem de ficção, Caroline Jabor acerta na mão. O drama é muito bem dirigido, com ótima fotografia e plasticidade. Inspirado no belíssimo conto Frontal com Fanta foi adaptado para o cinema com medida certa para um drama. O jovem João vem de um lar disfuncional, sendo sua mãe displicente e chegada a tomar dúzias de comprimidos de Frontal, seu pai nem sabe que ele existe. João sente-se abandonado e invisível a essa família desagregada. É internado pelos pais em uma clínica psiquiátrica meia-boca, por também ter se viciado em comprimidos ingeridos com Fanta Laranja. Eles não se preocupam com sua cura e o que querem é sossego em casa. Lá conhece a bela Judite, moça experiente e muito inteligente que além das drogas, é HIV positivo e sofre de hepatite C. Com esses problemas não pode tomar o coquetel para cura da AIDS, pois seu organismo não conseguiria reagir e ela está condenada à morte, a qualquer momento. Entretanto essa mulher não desiste de ser feliz enquanto viver e se aproxima de João, que dará novo sentido à sua vida. Ele tem 17 anos, é virgem e se apaixona por ela. Os dois não recebiam amor de ninguém e a convivência faz com que ela seja seu primeiro amor e se arrebatem verdadeiramente. Na clínica é fácil conseguir mais comprimidos e até sair para um passeio como ocorre durante a trama. Judite conhece Yoga, contudo não controla seu corpo, tendo um lindíssimo diário onde desenha suas experiências diárias.  Acredita que sua mente é uma máquina que não para de funcionar, mas o corpo não aguenta. João não consegue mais ficar sem seu afeto e experiência, tornando-se muito envolvido por ela. Ele quer ter um filho com Judite, mas isso significaria sua morte. Para que o garoto se afaste, comete um ato terrível aos olhos dele e pouco tempo depois acaba morrendo. Com um pedido dela de Boa Sorte, João consegue superar seus traumas. Anos depois já curado e formado, encontra casualmente sua avó, Fernanda Montenegro, que apesar de ter uma participação pequena é divina como uma mulher idosa e ainda viciada. Os dois terão belas lembranças de Judite. Incrível que, com seus mais de 80 anos, Fernanda ainda tenha a postura e desenvoltura de uma jovem. Deborah Secco expõe todo seu talento e beleza nesse filme. João mostra-se um ótimo ator. Cassia Kiss, como psiquiatra do instituto, também é muito convincente. Imperdível.

domingo, 23 de novembro de 2014

UMA PROMESSA DE PATRICE LECONTE





A PROMISE, FRANÇA/2013, 98 MIN., DRAMA
ELENCO:
REBECCA HALL – CHARLOTTE HOFFMEISTER
ALAN RICKMAN – KARL HOFFMEISTER
RICHARD MADDEN – FRIEDRICH ZEITZ
Falado em inglês, esse filme foi baseado em um interessante “romance burguês”, quando de seu auge, na Alemanha, França e Inglaterra do início do século XX. Era quando a burguesia ditava as cartas e não mais nobreza, com seu empenho no trabalho, seriedade, honestidade e vontade de vencer. O autor do livro é o famoso escritor austríaco Stefan Zweig. Com uma impecável ambientação de época vemos um triângulo amoroso entre Charlotte, Karl Hoffmeister e o jovem Friedrich Zeitz. O filme começa com a admissão de Friedrich, um genial engenheiro que havia conquistado o primeiro lugar em sua universidade. O magnata, Karl Hoffmeister, havia escolhido seu nome pela fama de sua grande inteligência e erudição. Formado em metalurgia vai trabalhar nessa imensa fábrica, na Alemanha em pleno desenvolvimento industrial, em 1912. Logo surge um vínculo muito grande entre esses dois homens de idades tão diferentes, contudo cheios de entusiasmo pela profissão. A siderúrgica havia sido fundada pelo seu avô e ia de vento em poupa, com exceção de muitas perdas na industrialização. Apesar de órfão e formado pelo Estado, o engenheiro tem várias qualidades indiscutíveis, incluindo a noção de modernização da época. Karl é casado com a jovem Charlotte, tem um filho pequeno e está gravemente enfermo. Tendo que ser confinado à sua casa, ele conta com o auxílio integral do rapaz, que se torna indispensável para ele. Zeitz é convencido pela mulher de seu patrão a ir morar na mansão e ajudar o garoto em seus deveres de casa. Essa aproximação é mais ou menos calculada por Karl, mas quando as coisas parecem estar do lado do casal, que está se enamorando e do pequeno filho, ele muda de ideia. Enciumado, pede para que ele vá para o México, a fim de dirigir uma mina que havia comprado, por insistência de Friedrich. Ele voltaria em dois anos. A separação será uma enorme perda para os amantes. Promete que quando voltasse, partiriam juntos com o menino. Ocorre que a Primeira Guerra Mundial advém em 1914 e eles que tinham um único elo, a correspondência, ficam separados por anos sem saber como seria o futuro deles.  Karl morre, a guerra acaba, mas Lotte ainda pranteia seu luto pela perda de contato com Friedrich. Um dia ele voltará rico e poderoso e suas sinas serão cumpridas. Filme romântico, porém bastante esclarecedor da força burguesa e com ótimos desempenhos dos artistas. A ambientação e figurino são impecáveis.

sábado, 22 de novembro de 2014

SAINT LAURENT DE BERTRAND BONELLO




FRANÇA, 2014, 150 MIN., DOCUDRAMA
ELENCO:
GASPAR ULLIEL – SAINT LAURENT
JEREMIE RENIER – BERGÉ
LOUIS GARREL – JACQUES BASHER
LÉA SEYDOUX
Este longa biográfico irá representar a França no próximo Oscar, como melhor filme estrangeiro. É um ótimo trabalho que foca o período de 1967/76, quando o talentosíssimo Yves lança sua primeira coleção, tendo como parceiro Bergé. Ele é alçado ao topo do mundo e da moda francesa, tornando-se o número um do prêt-a-porter de luxo.  Sua criatividade e dom fizeram uma grande revolução na maneira da mulher se vestir e se comportar, ficando mais feminina e confortável em seus maravilhosos terninhos. Como Chanel foi um marco para as pessoas bem vestidas e modernas. O filme não tem um diálogo linear, mas traz imagens e cenas, que unidas, nos dão uma belíssima ideia de sua vida e obra. Notívago e frágil tem uma vida paralela com outros homens, além de seu companheiro de 50 anos, Bergé, que nunca deixará que ele se autodestrua e caia no ostracismo, principalmente pelo império que formaram juntos. Viciado em drogas, álcool e sexo forma uma perigosa parceria com o manequim Jacques Basher, onde tudo é permitido e executado ao extremo. Veremos suas coleções deslumbrantes, a influência do pintor Mondrian em suas peças, suas duas musas inspiradoras, seus ateliers e a afinidade com o lúcido Bergé. Um filme para encher os olhos com tanta beleza e riqueza de interpretações de seus atores. Gaspar Ulliel, parisiense de 30 anos, emagreceu 11 quilos para interpretar esse impecável papel e ainda é ele que desenha os croquis durante as cenas, pois sabe desenhar e seu pai era estilista. Yves nasceu em 1936 e morreu em 2008.