quinta-feira, 11 de junho de 2015

A MENINA DOS CAMPOS DE ARROZ DE XIAOLING ZHU





LA RIZIÈRE, FRANÇA, CHINA, 2012, 82 MIN., DRAMA.
ELENCO:
YANG YINGQIU – QIU
XIANG CHUIFEN
SHI GUANGINI
YANG XIAOYUAN
Esse é um belo e triste drama chinês no qual a diretora Xiaoling Zhu nos conta a história de uma família que vive em uma pequena cidade do sul da China, onde a produção principal é o arroz. A linda e inteligente Qiu e seu irmão estão morando com os avós, enquanto seus pais foram obrigados a trabalhar em uma metrópole, na construção civil, a fim de proporcionar um futuro melhor do que o deles para os filhos. Qiu de 12 anos sente uma grande afinidade pela avó, mas seu avô, sendo agricultor e arquiteto, está sempre ausente construindo pagodes ou pontes, à moda chinesa. A vida é difícil, porém cheia de amor e momentos de reflexão e relaxamento familiar. Qiu é ótima aluna e quer fazer o curso secundário em algum colégio importante e conseguir cursar uma universidade e ser escritora. Sua avó, durante o plantio de arroz, sai para descansar e acaba sucumbindo com um sorriso nos lábios. O avô passa a tomar conta das crianças, contudo seus pais veem-se forçados a largar a cidade grande e voltar a serem agricultores para não deixar o avô sobrecarregado de afazeres. A felicidade volta a reinar dentro dessa típica família de camponeses da atual China. Com o clima desfavorável o trabalho é duro para que tenham uma boa colheita. Contudo, para Qiu as coisas vão se encaminhando muito bem e ela consegue ser aceita em uma ótima escola, podendo realizar seus sonhos. Parte e vai morar em outra cidade. Os pais continuam debatendo sobre suas profissões tão difíceis e quais opções poderiam ter. Ocorre que há uma safra excelente de arroz e enviam uma carta repleta de alegria para a garota. Passado pouco tempo as condições da aldeia se alteram, mudando completamente o futuro de Qiu. Ótimo filme com tempo para ponderação e com paisagens maravilhosas dos campos de arroz nas montanhas da China. Vale a pena ser visto. O filme recebeu duas indicações a prêmios em festivais.

domingo, 7 de junho de 2015

SEGUNDA CHANCE DE SUSANE BIER




EN CHANCE TIL, DINAMARCA, 2014, 102 MIN. THRILLER PSICOLÓGICO.
ELENCO:
NIKOLAJ COSTER-WALDAU – ANDREAS
MARIA BONNEVIE – ANNA
ULRICH TOMSEN – SIMON
LYKKE MAY ANDERSEN – SANNE
Nesse bom filme dirigido por Susana Bier, ganhadora de Oscar de melhor filme estrangeiro em 2011, ela explora o lado psicológico das pessoas em situações extremas e quando sentem que o serviço social não está cumprindo seu papel. O filme foi apresentado no Festival de Toronto. Dois policiais levam vidas bem distintas. Andreas tem uma bela casa, linda mulher e um bebê de cinco semanas, pelo qual é apaixonado. Simon acabou de se separar e vive bêbado, convivendo com prostitutas. Um chamado de rotina unirá a vida desses dois homens. Vai com seu parceiro resolver um caso de briga doméstica e dá de cara com um casal de drogados conhecidos. O local onde vivem é sujo e mal arrumado, com um bebezinho da mesma idade de Alexander jogado e sujo no chão. Não podia fazer nada para salvar o bebê. Sua mãe, Sanne, apesar de drogada não bate ou maltrata o filho, contudo o negligencia. O choro constante de seu filho, desenvolvendo para um terrível drama familiar fará com que Andreas tome uma atitude arriscadíssima, uma vez que seu filho acaba morrendo, supostamente de síndrome de bebê que para de respirar e ele resolve trocar as crianças, deixando seu próprio filho com o casal drogado. Sanne percebe a troca e quase enlouquece, pois sentia que ele ainda estava vivo. A vida de Andreas toma um rumo desesperador por causa da esposa e ele se vê moralmente culpado com o destino de Sanne. Filme que prende a plateia por todo o tempo e faz com que repensemos nossos valores sobre a vida de quem nos cerca. A evolução da história chega a ser aterradora. Mais não poderia ser revelado. Muito bom, com ótimos desempenhos.


sexta-feira, 5 de junho de 2015

ENTRE ABELHAS DE IAN SBF




BRASIL, 2015, 99 MIN., COMÉDIA DRAMÁTICA
ELENCO:
FÁBIO PORCHAT – BRUNO
IRENE RAVACHE – MÃE
GIOVANNA LANCELLOT – ESPOSA
MARCOS VERA – DAVI
Essa comédia dramática de fundo psicológico surpreende. Dirigida por Ian e produzida por Fábio Porchat oferece momentos de riso e reflexão. O filme começa com Bruno, editor de imagens, comemorando com amigos sua “despedida de casado”, em uma boate de garotas de programa. Todos bebem muito e ele vai direto para a casa de sua mãe (Irene Ravache), onde passa a viver. As coisas não saem como ele pensara, pois ainda ama sua ex-mulher e não quer ficar longe dela. Contudo uma reconciliação é impossível. Com a solidão presente vai ficando deprimido até que em uma noite não enxerga o motorista de taxi. Antes havia sido uma pessoa na foto clicada durante a festa. Continuamente as pessoas vão desaparecendo e ele tropeçando ou esbarrando nelas. Bruno se empenha em entender o que está ocorrendo com ele, pois problema de visão não era. Com a indicação do médico de sua mãe procura um psiquiatra jovem e moderno que passa a acompanhá-lo. Editor de imagens sem imagens. Entretanto o caso vai se agravando e mais pessoas vão desaparecendo a ponto dele montar um enorme painel onde coloca seus nomes. O desenrolar da trama prende a atenção até o final, que não poupa os espectadores. Vem abrupto e cortante. Vale muito a pena ser visto. Porchat mostra-se um ótimo ator e Irene Ravache maravilhosa como sempre.   




terça-feira, 2 de junho de 2015

OS HOMENS QUE ELAS AMAVAM DEMAIS DE ANDRÉ TÉCHINÉ






L’HOMME QU’0N AIMAIT TROP, FRANÇA, 2014, DRAMA, 116 MIN.
ELENCO:
ADÈLE HAENEL – AGNÈS ROUX
CATHERINE DENEUVE – RENÉE LE ROUX
GUILHAUME CANET – MAURICE AGNELET
André Téchiné vale-se de um escândalo real, ocorrido na França no ano de 1976, para contar a história de uma viúva riquíssima, Renée Le Roux, seu advogado, Maurice Agnelet e a única filha muito jovem, Agnès Le Roux. Renée é dona de um cassino na Riviera Francesa e tem como braço direto seu advogado Maurice. Sua jovem filha acaba de desmanchar um casamento na África do Sul e vai para casa, a fim de rever a mãe e reivindicar sua parte da herança paterna. É uma jovem saudável e esportista, mas que se encontra fragilizada pelo romance desfeito. Sua mãe é o tipo de mulher que expõe muito a filha e a cobra por qualquer atitude, sendo o relacionamento entre elas bastante conflituoso. Renée vem sendo acossada pela máfia italiana, dona de um cassino concorrente, e a viúva está tensa para manter sua fortuna. Agnès quer viver sua vida e pede a parte de sua herança, tendo como resposta uma negativa consistente. Apesar disso consegue abrir uma pequena loja de livros e objetos exóticos e aluga um acanhado apartamento. Tudo isso com a ajuda do charmoso e manipulador advogado de sua mãe. Ele é bem mais velho, casado, pai de um filho, mas sendo alpinista social e sem qualquer moral, seduz a jovem que cairia na lábia do primeiro homem atencioso que aparecesse. Depois de conquistar seu amor, convence-a a abrir uma conta altíssima em nome dos dois. Ela sabe que Maurice tem uma família, contudo, apaixonada, acredita que poderá ficar com ele. Nesse ínterim, vemos que Maurice tem os dois pés no lado italiano e mafioso, ajudando a levar Renée à bancarrota.  É traída por Maurice que conduz a filha a votar contra ela e embolsar três milhões de francos.  Depois de esse fato financeiro estar sacramentado e o dinheiro em seu nome, ignora a heroína fazendo com que ela perca o pouco de segurança que ainda tinha. Ela não quer ouvir os conselhos da mãe, muito menos vê-la. No auge da angústia tenta se matar e mais tarde, some para não mais aparecer, enquanto Maurice foge com a família para a América Central. Renée tenta provar que Agnès fora assassinada pelo ex-amante e depois de trinta anos, já sem nenhum dinheiro, abre um processo contra ele. Ocorre que o júri e a justiça o consideram inocente pela ausência do corpo. Mas Renée não desistirá e outro processo realiza-se, também sem sucesso. Contudo, um terceiro processo ocorrido há mais ou menos 2 anos é aberto por um personagem de sua família, que não se espera que tenha essa atitude e ele é preso por assassinato e ocultação de cadáver. Um caso e tanto que abalou a sociedade francesa da época e atual. Apesar de bom, o filme torna-se um pouco arrastado. As intepretações são muito boas, especialmente a de Adèle Haenel. O filme foi baseado no livro escrito por Renée e Jean-Charles. IMPORTANTE - Espere até que o filme termine, pois os desdobramentos dos processos serão apontados na tela.