quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

O FILHO ETERNO DE PAULO MACHLINE





BRASIL, 2016, 82 MIN., DRAMA
ELENCO:
MARCOS VERA – ROBERTO
DÉBORA FALABELLA – CLÁUDIA
PEDRO VINÍCIUS – FABRÍCIO


Paulo Machline adapta do best-seller O Filho Eterno de Cristovão Tezza este filme sensível, com bom resultado, apesar do tema já ter sido bastante discutido. Roberto é um escritor que em 1982 será pai pela primeira vez, com grandes expectativas para o filho que virá. Sua mulher, Cláudia, também está ansiosa, mas de outra forma, mais maternal. Ele é louco por futebol e estamos em plena Copa do Mundo. O garoto já tem até uma camiseta da seleção mesmo antes de nascer. O parto é concluído com sucesso, porém existe um senão, o bebê nasceu com “mongolismo” como falavam à época ou síndrome de Down como é nominado hoje em dia.  O preconceito contra isso era enorme nos anos 80 e Roberto não consegue aceitar, raciocinando que fora condenado à prisão perpétua com tamanho problema. Sem saber lidar com a situação afasta-se da criança e de Cláudia, que por sua vez acredita que, com amor e terapia adequada, o menino e o casal poderiam ser felizes. Roberto passa a viajar frequentemente a trabalho, arranjando uma amante para a qual conta ser casado, mas não ter filhos. Cláudia segue de maneira pragmática e carinhosa com suas convicções. Lidando com grosseria e desajeito com Fabrício, que aos 10 anos já demonstra ter soluções para seu caso, enfrenta um incidente que o fará mudar de ideia. Débora Falabella tem uma ótima atuação no filme, demonstrando grande afeto maternal e naturalidade e o garoto Pedro Vinícius é sensacional. O final é um pouco brusco, mas no mais o filme esclarece muito sobre a Síndrome de Down, a negação e preconceito de várias famílias sobre o fato. Bom programa e elenco de primeira.



terça-feira, 13 de dezembro de 2016

DEPOIS DA TEMPESTADE DE HIROKAZU KORE-EDA




UMI YORI MO MADA FUKAKU, JAPÃO, 2016, 117 MIN., DRAMA.
ELENCO:
KIRIN KIKI – YOSHIKO
HIROSHI ABE – RYOTA
TAYIO YOSHIZAWA – SHINGO
YOKO MAKI - KIOKO


O ótimo diretor de dramas familiares, desta vez aborda o Japão moderno em um delicado filme onde a simplicidade com que os fatos são apresentados e o temperamento cáustico e irônico da matriarca marcam as passagens mais relevantes do filme. O longa representa o universo global e as dificuldades de relacionamento entre as pessoas. Hirokazu introduz primeiro os familiares. Yoshiko é a matriarca de setenta anos, que depois da viuvez benvinda resolve preencher sua vida aprendendo música clássica com um antigo maestro. Vive em um condomínio de classe média, que detesta, convivendo relativamente pouco com os filhos. A ex-mulher de Ryota, Kioko, é tratada como uma verdadeira filha e o encontro entre elas é sempre amável e cuidadoso. Seu neto tem nela uma heroína. Ryota está com cinquenta anos, muito alto para o padrão japonês e belo. Considerado um ótimo escritor no passado, agora vive fazendo bicos como detetive particular, com a desculpa de recolher material para um  novo livro. Ganha mal, aposta em jogos para tirar um extra, bebe e não consegue ajudar na educação de Shingo. Ele não se tornou o que gostaria de ter sido um dia e repete o comportamento do pai. Sua ex-esposa é bela, educada e independente, criando o filho com seu próprio dinheiro. Ocorre que estando divorciada tem um namorado rico e atencioso que gosta dela e de Shingo. Feita as apresentações, iremos para o cotidiano dos personagens, com suas divergências, necessidades, amores e conflitos como em qualquer lugar do mundo. O vigésimo terceiro tufão passa pelo local e isso vai oferecer uma oportunidade que não será desperdiçada por Yoshiko, que vai conseguir unir os três heróis com grande estranhamento e quem sabe uni-los em um futuro qualquer. Os diálogos são muito inteligentes e as tiradas mordazes da matriarca fazem com que não se transforme em um filme pesado de fracassos, mas de leveza e humor. A atuação dos atores é ótima e a luz natural do filme encantadora. Imperdível!!









terça-feira, 6 de dezembro de 2016

NINGUÉM DESEJA A NOITE DE ISABEL COIXET




NADIE QUIERE LA NOCHE, ESPANHA, 2015, 104 MIN., DRAMA
ELENCO:
JULIETTE BINOCHE – JOSEPHINE PEARY
RINKO KILUCHI – ALLAKA
GABRIEL BYRNE – BRAM TREVOR




Isabel Coixet, nesse filme, faz com que nossos sentimentos cheguem ao limite. Conta a história verídica, passada em 1908, quando uma mulher da alta sociedade americana resolve  encontrar o marido em expedição a procura do Polo Norte. Robert Peary era um explorador, que fora várias vezes ao mais longínquo extremo do hemisfério norte, querendo lá fincar a bandeira americana. Josephine, sua esposa inflexível e autoritária, o acompanha em suas viagens, tendo tido, inclusive, uma filha em plena jornada. Depois de anos, resolve unir-se a ele na mais das perigosas missões, pois o escuro inverno polar estava para chegar. Na primeira cabana de apoio não o acha, pois havia partido há pouco. Nesse local convence as pessoas interessadas nessas viagens a levá-la até uma segunda cabana, um lugar absolutamente gélido e inóspito. Sua bagagem é composta de belíssimos vestidos e arcas Louis Vuitton, sendo que uma delas guardava sua louça, cristais e prataria. Com essa pompa  gostava de viver naqueles ambientes. Chegando à choupana mais afastada, depara-se com uma jovem innuit, que não somente conhecia muito bem seu marido, como também esperava por ele. Para Allaka o sentimento de amor não era ligado ao de posse. Era algo muito maior e mais maleável. A rica americana não a suporta, entretanto com o passar do tempo, com as tempestades de neve e o frio intenso, precisam uma da outra para sobreviver, já que seu guia havia morrido no gelo e elas se encontravam sozinhas. Josephine passa por uma lição de humanidade, compaixão e piedade que nunca mais esquecerá. Allaka estava esperando um filho de Robert e ambas terão de desempenhar o papel de mãe para esse bebê.  A mudança ocorrida no caráter e postura de Josephine é um dos componentes principais do filme, que fala de amor e paixão. Muito bem dirigido, com bela fotografia, ganhou o premio Goya de Melhor Direção de Produção. As duas atrizes estão convincentes em suas interpretações. Imperdível para quem gosta de filmes de aventura. 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

ELIS DE HUGO PRATA




BRASIL, 2016, 113 MIN., CINEBIOGRAFIA
ELENCO:
ANDRÉIA HORTA – ELIS REGINA
GUSTAVO MACHADO – RONALDO BÔSCOLI
LUCIO MAURO FILHO – LUIZ CARLOS MIELE
JULIO ANDRADE – LENNIE DALE



CACO CIOCLER – CÉSAR CAMARGO MARIANO
Realmente, para quem é da época de Elis Regina, este revigorante filme nos faz sentir jovens e cheias de sonhos e esperanças como a personagem principal. A atuação de Andréia Horta, sem dúvida, é a alma dessa biografia, perfeita em tudo como na dublagem das músicas, no uso de seu corpo e suas expressões, tão parecidas com as da diva de nossa música popular que se foi  jovem, aos 36 anos. A atuação de Andréia rendeu-lhe um premio no Festival de Gramado. Ela incorpora a atriz de maneira impressionante. Elis, a Pimentinha gaúcha, chegou ao Rio de Janeiro em 1964 acompanhada do pai, a fim de arrasar e ter uma brilhante carreira artística, pois confiava em seu talento e na potência de sua voz. A princípio foi taxada de cantora de churrascaria, mas isso não fez com que ela desanimasse e prosseguiu com vontade de ferro até que conseguisse se apresentar às pessoas certas e conseguir desenvolver seu talento. Lenni Dale foi o responsável por seu gestual tão característico e solto. Em São Paulo, reconhecida, batalhou muito no início de sua carreira. Depois de seu enorme sucesso ao lado de Jair Rodrigues, foi ajudada pelo time carioca que percebeu seu enorme potencial e talento. Gostando de desafios invade os palcos, a televisão e casa-se com Ronaldo Bôscoli, tendo seu primeiro filho. Sua vida privada foi tumultuada, separando-se do primeiro marido, até que se une com César Camargo Marino e nascem mais dois filhos. Os três são a razão de sua vida, além da música. Era o que importava para ela. Na Europa fez um tremendo sucesso. Vestia-se com elegância e apuro, suas casas eram maravilhosas e no palco simplesmente abafava. Filme imperdível pela época política repressiva que dominava o país, pelas canções admiráveis e pela atuação impecável da atriz. Um resgate importante da música brasileira e do sacrifício artístico das personalidades da época, perseguidos pela ditadura militar.