quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME DE MARTIN MCDONAGH




THREE BILLBOARDS OUTSIDE EBBING, MISSOURI, REINO UNIDO-USA, 2017, 116 MIN., DRAMA.

ELENCO:
FRANCES MCDORMAND – MILDRED HAYES
WOODY HARRELSON – WILLIAM WILLOUGHBY
SAM ROCKWELL – DIXON






O ódio incita o ódio. Diz uma garota iletrada. Como chegou a tal conceito? Leu  
em um marcador de livro. Um anão convida uma senhora para jantar e acaba deixando-a sozinha à mesa, pois estava constrangida com sua presença desde que chegara ao restaurante, mas aceitara sua ajuda, dizendo-se sua namorada quando precisou de um álibi. São cenas interessantes de um filme que fala sobre violência, intolerância e ódio.  Esse diretor inglês de 47 anos recebeu vários prêmios por sua filmografia recente e por um livro.   O assunto é pesado. Uma jovem é estuprada e morta, na pequena Ebbing. Contudo sete meses após o crime nada foi resolvido. Inconformada Mildred, a mãe, observa três outdoors vazios perto de sua cidade e tem a ideia de fazer um apelo à ineficaz polícia local. Coloca três anúncios sobre o caso citando nominalmente o delegado de polícia.  William é um xerife com câncer e em fim de vida, com esposa e duas filhas pequenas que tenta proteger da melhor maneira possível Na noite de Páscoa ele recebe um telefonema sobre o assunto, indo diretamente ao ponto: falar com Mildred. Há um confronto entre eles sobre os outdoors, mas chamam a atenção de todos na cidade e vizinhança. Seu auxiliar, Dixon, é um oficial imaturo e truculento, gostando de espancar negros e homossexuais.  Uma guerra começa nessa pequena e atrasada cidade. Mildred tem um filho adolescente, que apesar de ajudá-la, se recente de seu comportamento e um ex-marido, bêbado e violento, que está atualmente com uma jovem de 19 anos.  Sozinha terá de enfrentar o tumulto que iniciou, em busca de redenção. Totalmente revoltada, segura e forte vai como um tanque de guerra atrás dos possíveis culpados e dos não resultados do caso policial. O filme todo é violento e mostra como essa atitude reverbera em outras tantas ainda piores. O desempenho furioso de Frances McDormand é primoroso e ela foi nominada para o Oscar de melhor atriz.   Os dois policiais também foram escolhidos como atores coadjuvantes.  São sucessivos dramas pessoais que fazem essa história estar sendo polemizada pela mídia e redes sociais. O melhor é falar o mínimo possível e deixar o veredito a seu critério. Apesar do clima o longa traz boas piadas. Ótimo.  Imperdível.                                                                                                        

domingo, 11 de fevereiro de 2018

O INSULTO DE ZIAD DOUEIRI




L’INSULTE, FRANÇA-LÍBANO, 2017, 112 MIN., DRAMA.

ELENCO:
ADEL KARAM - TONI
RITA HAYED – ESPOSA DE TONI
KAMEL EL BASHA - YASSER


Esse incrível filme, concorrente ao Oscar de melhor filme estrangeiro, dirigido pelo ótimo diretor Ziad Doueiri, ameaçado de prisão justamente por esta película, releva aspectos políticos e religiosos muito delicados para os países árabes. Nos tempos atuais do Líbano moderno, um insulto tomará proporções gigantescas entre Toni, um libanês cristão e Yasser, refugiado palestino, ex-engenheiro que agora trabalha no país. Ele é uma pessoa bastante correta e eficiente no que faz. Toni, dono de uma oficina automobilística, também é cidadão exemplar, casado com uma jovem no final da gravidez que quer voltar para a aldeia do marido.  Toni lava a varanda de seu apartamento, quando um cano fora de lugar, molha Yasser com água suja. Imediatamente ele sobe para pedir explicações, que não vêm, e os dois homens acabam se desentendendo seriamente com sentimentos de ódio. Era uma bobagem que poderia ter sido resolvida facilmente, apenas com um pedido de desculpas. Isso não ocorre e, em sua oficina, Toni é agredido fisicamente pelo palestino e as coisas tomam uma dimensão não só política, mas também racial. Eles vão parar em um tribunal. Toni é defendido por um famoso advogado de direita e Yasser por sua filha, também advogada, que terá seu primeiro caso na corte, pois considerava os palestinos pessoas sem defesa. Esse incidente revira o passado de ambos. Assim, feridas e perseguições ainda não cicatrizadas virão à tona, com uma força inimaginável. A cidade fica dividida e a imprensa se aproveita do fato para por mais lenha na fogueira. Vemos como as coisas pegam fogo de um nada nesses países e como todos podem ser afetados com isso. Na realidade o réu e o acusado eram boas pessoas e estavam erradas, segundo a juíza, entretanto com um passado conturbado, que não sabem lidar. Caso estivessem em um país realmente democrático e livre talvez as coisas fossem diferentes. Excelentes representações, com nominações a prêmios e enredo belíssimo. Imperdível!!! Tomara que o diretor se saia bem com seu processo, uma vez que é muito talentoso e audacioso.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

TODO O DINHEIRO DO MUNDO DE RIDLEY SCOTT






ALL THE MONEY IN THE WORLD, USA, 2017, 133 MIN., SUSPENSE VERÍDICO

ELENCO:
MICHELLE WILIAMS – GAIL HARRIS
CHRISTOPHER PLUMMER – J. PAUL. GETTY I
MARK WAHLBERG – FLETCHER CHASE
CHARLIE PLUMMER – JOHN PAUL GETTY III

Esse caso verídico de sequestro, em 10 de julho de 1973, abalou parte do mundo ocidental. O jovem e preferido neto do milionário do petróleo, o homem mais rico do mundo daqueles tempos, andando pelas ruas de Roma, é sequestrado e levado para a Calábria, trancado em um cativeiro precário, ficando ao todo 5 meses detido; isso aos 16 anos. Os sequestrados pedem uma fortuna como resgate. O filme tem alguns flashbacks para explicar a situação dessa família. Paul Getty I, ao visitar a Arábia Saudita, acredita que o solo era rico em petróleo e negocia a compra com os árabes. Provou-se que ele tinha razão e milhões foram ganhos. Com a vinda da OPEP, o preço ficou mais regularizado. Esse homem teve um filho, que abandonou e não deu carinho, para cuidar apenas de sua fortuna e de bens materiais, que eram imutáveis com o passar do tempo – obras de arte. O rapaz vai morar nos Estados Unidos e se casa com a filha de um juiz, tenho 3 lindos filhos. Ele encontra-se desempregado e por sorte recebe um telegrama do pai para que seja seu braço direito. Segue com a família para lá. Ocorre que ele é alcoólatra, irresponsável e viciado em drogas. O cargo vai para Fletcher Chase.  Sua mulher divorcia-se do filho do bilionário e fica com a guarda das  crianças. Entretanto ocorre o sequestro e ela não tem dinheiro algum, quanto mais uma fortuna. Acreditava-se que era riquíssima pelo seu estilo e classe, um mito fora criado. Ela recorre ao sogro para pagar o sequestro, ele, entretanto não se abala, tinha 14 netos, portanto possíveis 14 raptos. Esse incidente abala a mídia da época, comentando diariamente a sequência dos fatos. Chase é encarregado de negociar com os bandidos e acaba se envolvendo muito no caso, pela desumanidade dos eventos e da recusa do avô. Não recebendo o dinheiro, os sequestradores vendem o rapaz para um homem inescrupuloso, falsário e empresário, que acaba mandando cortar a orelha do rapaz, enviando-a pelo correio a um jornal italiano, junto a uma foto e avisando que seria mutilado passo a passo até chegar à morte. A mãe já não sabe mais o que fazer, mas conta com o bom senso de Fletcher. Após inúmeras intervenções da polícia e da família conseguem baixar muito o preço pedido inicialmente. O avô se compromete a emprestar o dinheiro ao filho, pois isso lhe daria uma grande vantagem no pagamento do imposto de renda. O filme acaba com o garoto solto e em casa, não sem aflição e expectativas da plateia. Mas o que veio depois, uma tragédia, não é narrado. Ele ficou, aos 16 anos, em cativeiros diferentes por cinco meses. Com o tempo casou-se e teve filhos, mas sofreu um derrame em 1981, ainda jovem, não deixando que isso dominasse sua vida. Faleceu aos 54 anos, na mansão de seu pai, no sul da Inglaterra. Um destino cruel que não é explorado no filme. Bom longa pela história verídica, mas muito focado no avô. O diretor trocou Kevin Spacey por Plummer, devido ao caso de abuso sexual e pedofilia em que estava envolvido.


segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

A FORMA DA ÁGUA DE GUILLERMO DEL TORO








THE SHAPE OF WATER, ESTADOS UNIDOS, 2017, 103 MIN., FANTASIA.
ELENCO:

SALLY HAWKINS – ELISA
DOUG JONES – HOMEM-PEIXE
MICHAEL STUHLBARG – AGENTE FEDERAL
RICHARD JENKINS – GILES
OCTAVIA SPENCER – ZELDA, MELHOR AMIGA DE ELISA
ALEXANDRE DESPLAT – TRILHA SONORA


Esse longa de Guillermo Del Toro estreia com 13 indicações ao Oscar. É um obscuro conto de fadas para adultos, passado nos anos da guerra fria (1962), mas com elementos que ainda incomodam muito nos dias atuais. Os personagens principais são discriminados pela sociedade. A heroína, Elisa, é uma jovem faxineira, que não pode falar, mas ouve, e trabalha em um laboratório governamental de alta segurança. Seu vizinho e confidente é um senhor gay, ótimo desenhista e marqueteiro, em fim de carreira, tentando vender seu trabalho para o estado. Zelda, colega de trabalho e melhor amiga, é negra, invisível para os homens e ao seu marido, mas feliz com sua cor de pele e vida, muito independente e pragmática. Elisa se comunica com a linguagem de gestos dos surdos mudos, mas isso não impedirá sua relação com as pessoas ao redor. Michael Stuhlbarg é agente federal e contrabandeou do rio Amazonas A Forma, um belo e forte homem peixe, que ficará em uma espécie de piscina no laboratório para ser estudado e quem sabe mandado para o espaço, uma vez que os russos já haviam conseguido fazer isso com um animal. Elisa sem preconceitos de qualquer forma tentará se aproximar da Forma, a fim de manter um contato com ele e é bem sucedida, oferecendo-lhe ovos cozidos para comer e tocando músicas populares da época em um pequeno aparelho portátil. Por incrível que pareça, acontece uma paixão entre esses seres que não pertencem à mesma espécie, como nos contos de fada. No laboratório trabalha no projeto, Dimitri, um cientista renomado. Ele observará que essas duas criaturas conseguem se comunicar, para seu espanto total. Na verdade ele é um agente russo infiltrado naquele lugar. A trilha sonora, premiada no Globo de Ouro, disputará o Oscar e tem papel fundamental na estória. A falta de diálogo de Elisa, desperta o interesse do agente federal, cuja mulher não se cala um minuto. Explorando a periferia social, sexualidade, homofobia, racismo e assédio sexual, o diretor faz do filme um grande sucesso. Imperdível!