quarta-feira, 17 de outubro de 2012

E SE VIVÊSSEMOS TODOS JUNTOS? DE STÉPHANE ROBELIN








ET SI ON VIVAIT TOUS ENSEMBLE? FRANÇA-ALEMANHA, 2012, 96 MIN. COMÉDIA.

ELENCO: GERALDINE CHAPLIN – ANNIE

GUY BEDOS - MARIDO DE ANNIE

JANE FONDA - JEANNE

PIERRE RICHARD – MARIDO DE JEANNE

CLAUDE RICH – CLAUDE - VIÚVO

Amigos há muitas décadas esses cinco personagens vivem felizes e cada qual em sua casa. Todos têm mais de 75 anos, mas parecem ser muito independentes, até que o paquerador fotógrafo Claude tem um enfarte e necessita ir para um lar de idosos. Inconformado, o altruísta marido de Annie resolve convidar todos a morar em sua grande casa. Todavia, sua mulher que é psicóloga não aceita, porque antevê vários problemas com tantos idosos morando sob o mesmo teto. Ao mesmo tempo o marido de Jeanne está com Alzheimer e começa a esquecer de várias coisas importantes, tendo um diário para anotar suas impressões. É o mais idoso de todos. Ao visitarem o amigo no asilo, se comovem e resolvem viver juntos, como em uma comunidade hippie, pois são dessa época. Tudo corre bem, mas Jeanne  está muito doente e não quer deixar o marido sozinho quando chegar a hora de partir. Para aguentar a doença grave, contrata um jovem universitário para ser passeador do cão do marido e, mais tarde, ele se transforma em uma espécie de cuidador do grupo. Eles desenvolvem um sentimento sincero e passam a dividir seus problemas. Enquanto os assuntos são corriqueiros, tudo corre às mil maravilhas. Ocorre que os idosos também têm sentimentos e vida sexual. A partir desse ponto as coisas desandam e o diretor nos mostra a realidade da terceira idade nesses tempos modernos, em que a vida é tão mais prolongada. O filme é bom e foca na morte iminente e reais problemas da terceira idade. O diretor e roteirista, Stéphane Robelin, apresenta reflexões sérias sobre a velhice, apesar do tom humorístico que escolheu.  

MOONRISE KIGDOM DE WES ANDERSON


MOONRISE KINGDOM DE WES ANDERSON

EUA, 2012, 94 MIN. COMÉDIA

ELENCO:

BRUCE WILLIS – CAPITÃO

EDWARD NORTON

BILL MURRAY

TILDA SWINTON

KARA HAYWARD – SUZY

JARED GILMAN - SAM

 

Mais uma vez Wes Anderson dirige um filme muito especial. É a história de Sam e Suzy. Ambos têm 12 anos, são de difícil sociabilidade, filhos problemáticos e de inteligência acima do normal. Moram em uma pequena ilha na costa de New England. O ano é 1965 e o protagonista é órfão vivendo com uma família que o adotou recentemente.   No ano anterior, eles haviam se conhecido em uma festa, na paróquia da cidade, e se apaixonaram perdidamente. Suzy é que nos apresenta sua casa e cidade, nas primeiras cenas, através das lentes de seu binóculo, um tipo de varinha mágica que aproximava tudo. Tem mais três irmãos, seu pai é severo, sua mãe cuida da casa usando um alto-falante para ser ouvida e tem um caso com o Coronel (Bruce Willis). A estética do filme é daquela década e tudo é desenhado delicadamente como se fosse uma animação. Há um guardião da ilha que serve como condutor da história. Em um acampamento de escoteiros vemos vários meninos bem disciplinados, com a roupa impecável e obedecendo cegamente o instrutor. Na contagem dos meninos, um está faltando e é justamente o órfão Sam. Desaparecera levando um pequeno barco e algumas provisões. Os adultos ficam apavorados e vão atrás dele, mas alguém mais o segue, é Suzy, pois iriam fugir e se casar, vivendo juntos para sempre. O plano não é bem sucedido, mas as cenas são. Mostram a perspicácia do casal e o amor puro, infantil que os alimenta, com algumas pitadas de descobertas sexuais. Por duas vezes conseguem fugir: uma sozinhos e outra ajudados pelos demais escoteiros, que se apiedam de sua condição de órfão. Uma assistente social caricata deseja colocá-lo em um hospital para loucos ou em um abrigo público, pois seus pais adotivos não suportavam mais suas escapadelas. O perigo é sempre iminente, pois um furacão se aproxima da região. Depois de se “casarem” em outro acampamento a situação piora, mas é varrida pelo aguaceiro que cai do céu, que, por sinal, trouxe a melhor safra agrícola que a ilha jamais tivera. E o final só poderia ser feliz. Grande filme do criativo Wes Anderson.

 
 

OS INFRATORES DE JOHN HILLCOAT






LAWLESS, EUA, 2012, 100 MIN. DRAMA POLICIAL.

ROTEIRISTA – TOM WAITS

ELENCO:

TOM HARDY – irmão mais velho, Forrest

JESSICA CHASTAIN

GRAY OLDMAN – Floyd Banner - mafioso

SHIA LABEOUF – irmão caçula - Jack

GUY PIERCE

MIA WASIKOWSKA – namorada de Jack

JASON CLARKE – segundo irmão - Howard

Lawless, dirigido pelo ótimo John Hilllcoat, australiano, é baseado no livro autobiográfico de Matt Bondurant. O roteiro é excelente, assim como os diálogos. Diz o diretor para o jornal Estado de São Paulo: “Gosto de contar histórias de personagens levados ao limite. São pessoas que poderiam levar vidas pacíficas, não fossem as circunstâncias.” E é disso que trata o filme, com recriação de época impecável. Estamos em 1920 durante a Lei Seca que vigorou no país até os idos de 1940. Nas montanhas de Franklin, Virgínia, o uísque falsificado era vendido a rodo, fabricado nas montanhas solitárias do estado. Os alambiques, à noite, iluminavam a paisagem como um presépio. Os irmãos Bondurant não eram exceção. Considerados imortais pela lenda corrente na vila, haviam tido vários problemas e haviam se safado com vida. O mais velho regressara vivo da primeira guerra mundial, o segundo sobrevivera à gripe espanhola. O caçula, bem mais jovem e tímido, admirava-os profundamente, mas não conseguira nem matar um porquinho que olhara para seu rosto. Era o mais sensível e o que traria os maiores problemas quando jovem adulto. A polícia fazia vista grossa às intervenções em troca de propina, mas quem ganhava muito dinheiro com isso era os gângsteres das grandes cidades, como Al Capone. Os “caipiras” matavam-se para poder viver nessa época de depressão e isso irritava muito o narrador da história, o caçula Jack. Considerado inexperiente e fraco pelos mais velhos, não podia fazer parceria com eles, mas ao conhecer o violentíssimo contraventor, Floyd Banner, muda sua posição. Apaixonado pela filha de um pastor e tendo quase perdido Forrest, quando é ferido na gargante, gravemente, em uma emboscada armada por Floyd, muda de postura e tenta apanhá-lo de qualquer maneira. Mesmo protagonizando várias ações mal sucedidas, continua protegido e amado pelos irmãos. Seu perfil audacioso é completamente diferente dos mais velhos, reclusos, violentos e sem ambições maiores, além da fama de intocáveis. Uma história bastante violenta e movimentada que deixa o espectador focado na trama. Ótimas atuações do elenco brilhante e uma bela fotografia em sépia. A história familiar e amorosa do trio não é colocada de lado. Imperdível para os fãs do gênero.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

ROTA IRLANDESA DE KEN LOACH

ROUTE IRISH/INGLATERRA/FRANÇA/BÉLGICA 2010, DRAMA, 109 MIN. ELENCO: MARK WOMACK – FERGUS FRANKIE – JOHN BISHOP RACHEL – ANDREA LOWE Em Liverpool, dois jovens são amigos inseparáveis desde a infância. São quase irmãos, ou melhor, mais do que isso. Adultos Fergus, (Mark Womack em magnífica interpretação) convida o amigo para fazer parte do esquadrão de soldados mercenários nas ex-Forças Especiais britânicas, a fim de conseguirem um bom dinheiro e poderem dar um rumo melhor às suas vidas. Frankie, casado, a princípio não aceita a ideia, mas acaba juntando-se a Fergus. O dinheiro pago a esses soldados é realmente muito alto e isso conta em tudo na decisão da dupla. O filme começa em Liverpool, 2007, em uma bela catedral, onde o serviço funerário de Frankie está o
correndo. Fergus está muito bem financeiramente. Ocorre que Frankie não teve a mesma sorte e foi morto de forma brutal, atingido por explosivos detonados por insurgentes na Zona Verde, onde os ocidentais se concentravam. Rota perigosíssima, pois ficava na estrada que ligava ao aeroporto de Bagdá. A família aceita o luto, mas ele, sentindo-se culpado e tendo aberto o cachão selado, é acompanhado por Rachel, a viúva, indo atrás dos fatos ocorridos nas vésperas de sua morte. Obtém fotos de nativos sendo maltratados e mensagens de celulares, quando o amigo pede por socorro. Fergus tem certeza de que o amigo havia sido deliberadamente assassinado. Talvez pela terceirizadora de segurança no Iraque. Aos poucos, vai chegando perto dos responsáveis dessa tragédia até encontrá-los. O filme todo é bastante denso e o final trágico. Pesado, mas bom para quem quer saber um pouco mais sobre a situação naquela região. Ken Loach já produziu filmes mais leves e desta vez também acertou a mão, tendo como roteirista Paul Laverty. Em 2010 sua obra foi selecionada para o Festival de Cannes.

sábado, 6 de outubro de 2012

POLISSIA DE MAÏWENN LE BESCO

POLISSE, FRANÇA/2011,127 MIN. ELENCO: KARIN VIARD MARINA FOIS NICOLAS DUVAUCHELLE MAÏENN LE BESCO - fotógrafa Este intrigante e denso filme foi premiado em Cannes. Escrito, dirigido e atuado por Maïwenn conta a rotina de uma brigada de proteção a menores da polícia parisiense. São cenas pesadas, mostrando o cotidiano das crianças de Paris, principalmente as menos favorecidas, dos subúrbios, que são abusadas, sequestradas, espancadas e colocadas em cativeiro. Maïwenn faz o papel de uma fotógrafa que a pedido do Ministério do Interior, registra, junto à brigada, essas cenas de violência com muita sensibilidade. Esses homens e mulheres têm a função de auxiliar os adolescentes contra sua alarmante rotina, rendendo histórias muito pungentes, mas que não são prolongadas pela diretora além da interferência imediata; este foi o seu intuito. Filme pesado, mas que vale a pena ser visto, mostrando a universalidade do ataque às crianças por todo mundo.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

TUDO QUE DESEJAMOS DE PHILIPPE LIORET

TOUTES NOS ENVIES,DRAMA, FRANÇA, 2011, 120MIN. ELENCO: MARIE GILLAIN – CLAIRE CÉLINE – AMANDIE DEWASMES STÉPHANE – VICENTE LINDON Philippe Lioret, nesse drama pesado que poderia ter se tornado em melodrama, nos faz refletir sobre a imprevisibilidade da vida, quer em termos de longevidade sobre a qual não temos nenhum poder, quer sobre as coisas que estão ao nosso alcance, como a mudança de leis que possam prejudicar os despossuídos. É uma mistura de história de tribunal e relacionamentos humanos. Em Lyon,Céline é mãe de dois pequenos e está sendo julgada por não poder pagar os juros de uma financiadora especializada em empréstimos para pessoas sem condições financeiras favoráveis. A juíza (ótima Marie Gillain), que decidirá o caso, é uma jovem prestes a completar 32 anos, também mãe de duas crianças, que dá um parecer favorável à ré. Essa atitude provoca a irritação dos advogados dessas financiadoras, que a denunciam, e ela poderá ser suspensa. Isso se passa em setembro. O marido de Claire está desempregado, fazendo os serviços da casa e cuidando dos filhos, como ocorre atualmente em muitas famílias. É uma situação temporária que não os aborrece. Para defender-se e saber como agir, Céline pede ajuda a um juiz experiente e desiludido,
Stéphane, que entra para valer nesse caso. Stéphane tem a cancha de anos de tribunal e conhece as leis muito bem, mas Claire tem a perspicácia para enxergar os meandros dessas leis. Contudo, essa mulher descobre ter um tumor inoperável no cérebro e decide não fazer qualquer tratamento, pois sua vida não seria prolongada e ficaria desfigurada diante da família. Ela não quer causar compaixão, mas viver dignamente até sua morte. Nessa terrível batalha muda, pois até certo ponto ninguém saberá de seu problema, conta com a ajuda de seu colega de profissão, principalmente na urgência em modificar as irregularidades encontradas nas leis, que favorecem os mais fortes. Esse é o último desejo de Claire e o filme já está no mês de janeiro. Como na linha de Intocáveis, possíveis demonstrações de piedade são afastadas do enredo, deixando que os atores se joguem a fundo em suas interpretações. O cinema francês realmente está em ótima fase com vários filmes em cartaz.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

TROPICÁLIA DE MARCELO MACHADO

BRASIL, 2012, 72 MIN. DOCUMENTÁRIO
Vivas à Tropicália! Esse filme fecha com chave de ouro a tríade recomendada nesse blog – Tempos de Gangorra, livro, e Cara ou Coroa, filme, todos da época da ditadura militar. Para os adolescentes entenderem, Tropicália foi um movimento artístico e revolucionário iniciado nos anos de 1967, indo até o fim de 1968. Esse estilo de música rompia com tudo que era mais antigo e tradicional, inovando na melodia e nas letras, quando seus jovens formadores, Caetano Veloso e Gilberto Gil, foram exilados do Brasil, indo para Portugal, França e Inglaterra. O documentário é ótimo e resume músicas de gênios como esses dois musicistas esplêndidos e mais Tom Zé e os Mutantes. Cenas do Cinema Novo, que se iniciava no Brasil, com Glauber Rocha (Câncer) e Hirszman são peças importantes desse trabalho de filigrana. A censura, à época de Costa e Silva, era muito rigorosa, mas isso só avivava ainda mais a genialidade das letras musicais desses colossos. Para a geração dessa época, é tocante relembrar o esmero e inteligência com que eram feitas. Nunca mais o Brasil teria uma época tão frutífera em termos musicais. Matamos as saudades de Elis Regina, Nara Leão, Gal Costa, Maria Betânia, a impecável Rita Lee Jones dos Mutantes, Arnaldo Batista e dezenas de outros cantores que tinham voz e postura potentes e desafiadoras. Os festivais da Record foram fundamentais para que pudéssemos avaliar o trabalho de cada um deles. Tudo mostrado em fitas de época, incluindo o período de exílio de Caetano e Gil na Europa. Eram apresentados como artistas banidos de seu país, por criticarem o sistema político existente no período e assim eram aclamados por todos. Perguntados, em Portugal, se a Tropicália havia desaparecido, respondem que sim, eram dos Trópicos e agora, com eles na Europa, não havia mais o movimento, que sem dúvida deixou uma herança espetacular para os brasileiros. Cenas raras da morada deles em Londres são exibidas por Marcelo Machado. Pontualmente, como uma costura, aparecem declarações atuais de Tom Zé, Flávio Gikovate, Caetano e Gil, entre outros. Um programa muito interessante que não pode deixar de ser visto, principalmente pelos jovens.