terça-feira, 12 de agosto de 2014

O ENIGMA CHINÊS DE CÉDRIC KLAPISH




CASSE-TÊTE CHINOIS, FRANÇA, EUA, BÉLGICA, 2013, 117 MIN. COMÉDIA.
ELENCO:
AUDREY TAUTOU – MARTINE
CÉCILE DE FRANCE – ISABELLE
KELLY REILLY – WENDY
SANDRINE HALT – JU
ROMAIN DURIS – XAVIER
O diretor Cédric Klapisch, em 2002, iniciou uma trilogia que focava um jovem francês, Xavier, aspirante a escritor. Ele tinha uma noiva exótica na França, Martine (a graciosa e ótima Audrey Tatou), de quem sentia saudades. Em 2005, com Bonecas Russas, o desastrado Xavier é roteirista de uma série de romance de baixa qualidade. Mora com seu melhor “amigo” Isabelle (Cécile de France) jovem lésbica belga sem pudor. Martine é agora só uma amiga. A bela ruiva inglesa Wendy (Kelly Reilly) torna-se a cobiçada da vez, mas o roteiro desemboca no casamento de seu irmão, na Rússia. Depois de oito ele nos brinda com o fim da trilogia tão bem humorada. Agora, todos com 40 anos, o foco é novamente Xavier, já escritor respeitado, mas ainda confuso em suas relações amoras. Morando com Windy há 10 anos, têm um casal de filhos adoráveis. Viajando para Nova York a trabalho, ela se apaixona por um americano, que tem o dobro da altura de Xavier, riquíssimo, morando no lugar mais caro da ilha. O escritor se desespera, entretanto com a ajuda de Cécile, que mora lá com sua companheira chinesa Ju, (Sandrine Halt), consegue se estabelecer em China Town. Ele, para complicar mais sua situação, concorda em ser o pai de proveta do casal de lésbicas. Com três filhos e as mulheres morando na cidade, recebe, inesperadamente, a visita de Martine a qual pede ajuda para uma reunião com homens de negócios chineses. É uma das cenas mais divertidas da comédia. Logo em seguida terá a companhia do filho de Martine. O filme está repleto de pais e mães separados. Pautado pela temática da paternidade, Cédric Klapisch coloca ainda o pai omisso de Xavier visitando-o, num encontro bastante frio. Ocorre que optar por ter filhos tem suas alegrias e deveres. Com tantos personagens reunidos temos encontros e desencontros, tristezas e alegrias próprias do dia a dia. O filme flui sem grandes expectativas existenciais a não ser da felicidade e da amizade em qualquer circunstância. Ótima comédia, com bons atores e crianças encantadoras.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

O MERCADO DE NOTÍCIAS DE JORGE FURTADO





ELENCO:
GENETON MORAES NETO
JANIO DE FREITAS
JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO
CRISTINA LOBO
 E MAIS NOVE JORNALISTAS DE RENOME
O diretor Jorge Furtado faz um filme interessantíssimo sobre o jornalismo brasileiro da atualidade, que compete com blogs (muitos sem reponsabilidade) e redes sociais. Ele procura fazer uma comparação entre a importância do jornalismo sério, no papel, e do baseado na ótima peça homônima de 1625, do inglês Ben Johnson, quando as notícias eram obtidas através do barbeiro ou alfaiate. Ficamos com uma mistura de cenas da peça e sua continuação na atualidade, uma experiência genial.  Discute as fontes de informações, a irresponsabilidade de certos jornais e repórteres ao destacar certos fatos, não verificados concretamente, e destacados na primeira página. Como exemplos o caso da bolinha de papel que atingiu a cabeça de José Serra, quando candidato à presidência da república e o escandaloso caso da Escola Base, em 1994 no Rio de Janeiro, que teve de ser fechada e depois se descobriu que era tudo um desastroso engano. Também vemos o diretor, no papel de Michael Moore, indo à Nova York e visitar o museu onde está exposto um quadro de Picasso, que tendo uma réplica barata em uma parede do INSS, casou comoção por ser considerada a obra original. A peça, muito bem encenada, mostra os caminhos da informação do século XVII, início da imprensa, seu relevante apoio no poder e como esses fatos continuam sendo válidos nem pleno século XXI. O jornal perderia seu embasamento econômico se não fossem os anúncios que beneficiam o governo, ou seja, o poder e de várias firmas. Citam abertamente o governo Lula e Dilma. A propaganda parece ser a âncora econômica da imprensa. Vários jornalistas famosos e relevantes dão seus depoimentos e, se se consideram jornalistas ou repórteres. Essa combinação do jornalismo, de tantos séculos atrás, e as repercussões das notícias bem ou mal fundamentadas de hoje em dia resulta em um filme que não dá para não ver. Ótimo.


terça-feira, 5 de agosto de 2014

APENAS UMA CHANCE DE DAVID FRANKEL








ONE CHANCE, EUA/REINO UNIDO, 2013, 103 MIN. COMÉDIA DRAMÁTICA
ELENCO:
JAMES CORDEN – PAUL POTTS
ALEXANDRA ROACH – ESPOSA

Baseado na vida do talentoso cantor lírico Paul Potts, o primeiro vencedor do programa de televisão Britain’s  Got Talent de 2007, Simon Cowell produziu uma cinebiografia dirigida pelo diretor americano de O Diabo Veste Prada, David Frankel. A obra descreve a vida de Paul desde sua infância, onde sofria bullying agressivo na escola, até a vida adulta por ser gorducho. Amante de ópera desde pequeno, seu sonho era ser cantor de ópera e era zombado por isso, pois seu pai era um metalúrgico que trabalhava duro. Exercendo o cargo de vendedor de celular, o tímido rapaz consegue ganhar um concurso de talentos e juntando com uma grana que havia economizado, parte para Veneza com a finalidade de fazer aulas de canto lírico. É promissor, mas pela timidez se dá mal diante de uma apresentação para Luciano Pavarotti, que o desaconselha a tentar essa carreira. James Corden, no papel de Paul Potts, mostra uma tremenda identificação com o cantor. Estimulado pela mãe e pela jovem esposa não desanima, apesar da depressão após o encontro com Pavarotti. Caminhando em direção ao seu sonho venceu o Britain’s Got Talent e se transformou em celebridade, tendo vários álbuns gravados e viajando pelo mundo com sua mulher. Uma história de grande superação, apesar de todas as iniquidades sofridas. Bom espetáculo.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

COMO NAS CANÇÕES DOS BEATLES DE TRAN ANH HUNG




NORWEGIAN WOOD, JAPÃO, 2010, 133MIN. DRAMA
ELENCO:
RINKO KIKUCHI – NAODO
KEN’ICHI MATSUYAMA - WATANABE

Dirigido pelo talentoso diretor Tran, de Cheiro da Papaia Verde, o filme é de uma plasticidade, fotografia e iluminação primorosas ao extremo. Além do mais, todos os atores possuem uma beleza óssea e pele invejáveis. Soma-se a isso, um trabalho sem pressa com tempo para digerirmos os diálogos, apreciarmos as paisagens e refletirmos sobre o amor, vida e morte. As mudanças de estações do ano são fundamentais e muito bem exploradas nesse conjunto de ilhas que é o Japão. Ele começa e termina na primavera, momento da esperança e amor. É baseado no livro que leva o título em inglês de uma música de John Lenon, escrito por Haruki Murakami. A trama começa em 1967, quando três melhores amigos de infância moram em  Kobe. Naodo namora um deles, mas o trio nunca se desfaz, pois a amizade é quase igual ao amor do jovem casal de 19 anos. Tudo parece correr bem nesse verão, quando o namorado da jovem suicida-se, logo no início do filme. O trauma é tão violento que Watanabe vai para Tóquio, retornando aos estudos universitários e Naodo, desestabilizada emocionalmente, muda-se com os pais para outra cidade.  Acidentalmente ambos, que ainda sofrem com a morte, encontram-se no dia em que ela faz 20 anos e, calorosos um com o outro, ela perde a virgindade. Essas cenas mostram os rostos dos atores e você percebe, nitidamente, o momento mais importante para os dois. Surpreso por ser seu primeiro homem, Watanabe faz-lhe uma pergunta que a torna muito atormentada, sumindo de sua vida. Tempo depois, já conhecendo uma colega de faculdade que tem uma queda por ele, a belíssima Midori, ele recebe uma carta de Naoko, que se encontra em um sanatório para tratar de sua severa depressão. As estações vão acompanhando o andamento da história e em sua pior fase na casa de saúde, Watenake, que a ama sinceramente, depara-se com uma tremenda nevasca, deixando todas as montanhas e vales silenciosos e maravilhosamente em paz, ao contrário dos ânimos do casal. Watanake é um jovem admirado por todas as mulheres por seu caráter, beleza e sensibilidade. As cartas são raras e ele não sabe o que fazer, pois escolhera a vida e a felicidade, ainda mais com a convivência de Midori. O final é muito trágico para Naoko, mas Watanabe consegue reagir em sua busca pela vida e o final é belíssimo. Filme de reflexão, tendo como pano de fundo os protestos, no Japão, pela guerra do Vietnã. Imperdível!


otografi