sábado, 22 de agosto de 2015

LINDA DE MORRER DE CRIS D'AMATO






BRASIL, 2015, 75 MIN. COMÉDIA
ELENCO:
GLÓRIA PIRES – PAULA
EMÍLIO DANTAS – PSICÓLOGO
ÂNGELO PAES LEME - DR. FRANCIS
ANTONIA MORAIS – FILHA
Nesta comédia ligeira e graciosa, a diretora Cris D’Amato foca em uma dermatologista fascinada pela eterna beleza, que descobre a cura da celulite, através de uma droga oral. Muito ocupada e famosa, Glória Pires (ótima), a protagonista não tem tempo nem para a sensível filha que quer ser fotógrafa e é apelidada por ela de Sebastiana Salgada. Testando nela própria o medicamento, mas ajudada por Dr. Francis, que seria o responsável pelos efeitos colaterais, no dia da festa para a imprensa, morre acometida exatamente por esses efeitos que jurara não existir. Como em um dos contos de Sartre, os mortos recentes não sabem que morreram que aí começa a confusão. Desejando avisar o público de seu erro, tem de contar com um simpático psicólogo, neto de uma médium (Suzana Vieira), que herda o dom da avó, para comunicar à jovem filha sobre o perigo da medicação fatal. No roteiro diversas mulheres passam a ter sintomas iguais e os parceiros da Dra. Paula querem fugir da responsabilidade. Sem perceber, a morta passa a fazer terapia com o rapaz e resgatar seu passado. Tudo muito rápido, divertido e fácil. Boa comédia, comparando-se com o colapso geral do gênero na atualidade. Ótima fotografia.  

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

DAMA DOURADA DE SIMON CURTIS






WOMAN IN GOLD, EUA, INGLATERRA, 2015, 109 MIN. DRAMA
ELENCO:
HELEN MIRREN – MARIA ALTMANN
RYAN REYNOLDS – RANDY SCHOENBERG
Diretor do delicioso Sete Dias com Marilyn, Simon Curtis investe em um drama histórico, com força de thriller, para contar o caso de repatriação do quadro Adele Bloch-Bauer I, pintado por Gustav Klimt e mais outros quatro do mesmo pintor. Adele Bloch-Bauer I, o quadro mais importante de Viena, exposto no Palácio Belvedere era orgulho nacional, desde 1941. Foi inspirado livremente no livro de Anne-Marie O’Connor e este acontecimento mereceu outros filmes e livros de tão fantástico. Em 1938, a Áustria foi anexada à Alemanha nazista de Hitler para alegria da maioria e desespero dos judeus austríacos. O belíssimo apartamento da família Boch-Bauer, onde moravam os dois irmãos usineiros e as filhas de um deles, é invadido por agentes nazistas que saqueiam todas as obras de arte, incluindo o quadro de Adele Bloch-Bauer I, patrocinado por Ferdinand seu marido, um violoncelo Stradivarius e várias peças valiosíssimas. No ano de 1941 eles foram colocados no acervo do palácio Belvedere. O quadro é um deslumbramento folheado a ouro, mostrando seu rosto e no pescoço um valiosíssimo colar de diamantes. O filme é todo salpicado de flashbacks para termos noção da história contemporânea e passada. Em 1938 Maria Altmann, filha de Gustav, fugiu com o marido, cantor de música clássica, para Los Angeles. A fuga é espetacular, mas o casal consegue chegar ao destino desejado. Ele volta para 1998, quando Maria, já octogenária, dona de uma butique de roupas femininas e morando em um confortável chalé de classe média, fica sabendo que as obras de arte roubadas pelos nazistas poderiam ser repatriadas para os verdadeiros donos. Tendo uma amiga de sobrenome Shoenberg, filha do famoso músico austríaco, resolve empregar seu filho advogado para cuidar do caso. Ele reluta em aceitar, mas acaba acolhendo o desafio e ambos partem para a Áustria, tendo Randy Schoenberg deixado em casa sua mulher e uma pequena filha. Na audiência eles perdem, pois havia um documento de 1925, onde Adele pedira, antes de morrer, que os quadros de Klimt fossem doados ao acervo de artes de Viena. O jornalista austríaco Hubertus Czermin (Daneil Brühl) ajuda nas investigações, sendo de grande valia a Maria, que renuncia à herança e volta para casa. Mas seu advogado tem certeza de ganhar a causa, pelo dinheiro e pela justiça, pois por enquanto Maria tivera apenas a paz.  Remexendo em várias hipóteses acha que poderia acionar a Áustria no próprio Estados Unidos, com custo mínimo. Pedindo demissão de seu trabalho para dedicar todo seu tempo à memória de seu avô e o grande valor que receberia de sua cliente pela devolução dos quadros. O caso ganha volume, eles ganham, e vai parar novamente em Viena para uma mediação. Quem o ajuda é Hubertus Czermin, que descobriu uma falcatrua cometida pela comissão de arte. Com a investigação do repórter e o empenho de Randol, obrigaram a Áustria a devolver à Maria, a herdeira mais próxima, os quadros e o principal deles, o retrato, é arrematado em um leilão pelo herdeiro da famosa marca de cosméticos, Lauder. Uma pena que essa história tão fantástica e completamente apoiada no desempenho magnífico de Helen Mirren, tenha, nas últimas cenas, um desfecho tão meloso o qual não combina com o ritmo alucinante do filme. Caso contrário seria excelente. Como apontou Veja, alguns fatos não foram revelados como o que Maria era mãe de 4 filhos e recebeu uma indenização de 21 milhões de dólares. Quando tudo terminou Shoenberg tornou-se especialista e ganhou sociedade em uma firma. Hubertus foi o deflagrador do caso e forçou a aprovação da Lei de Restituição da Arte na Áustria. O desempenho dos outros atores é ótimo e a fotografia também. Bom programa!As duas últimas fotos são da verdadeira Maria Altmann com seu valiosíssimo quadro.


segunda-feira, 10 de agosto de 2015

JIMMY'S HALL DE KEN LOACH






REINO UNIDO, 2014, 110 MIN., DOCUDRAMA
ELENCO:
BARRY WARD – JIMMY GRALTON
SIMONE KIRBY – OONAGH
JIM NORTON - FATHER SHERIDAN
ANDREW SCOTT
Esse belíssimo “docudrama” foi indicado para a Palma de Ouro, no Festival de Cannes em 2014. Nele, Ken Loach retorna ao cinema politizado, focando o herói irlandês, James Gralton, homem carismático e líder natural em sua pequena cidade de Leitrim, quase um pântano. Em 1929 ele volta a seu país, após uma fuga para Nova York que duraram 10 anos, fugindo de seus inimigos naturais: o clero católico e os líderes da região com títulos de nobreza. Era um livre pensador, filho de uma mulher culta, com os mesmos ideais, que possuía uma biblioteca com os mais variados tipos de títulos e escritores. Volta para ajudá-la a tocar a fazenda, pois estava sozinha nessa função. Um grupo de jovens o recebe com grande alegria, sabedores de sua fama no passado e querem que ele reabra o Jimmy’s Hall, um salão onde, em seu tempo, discutia-se sobre política e pensadores. Ali também era um espaço para dançar, estudar e ter momentos de lazer, tão preciosos em um centro pequeno e sem atrativos. Preocupado com seus inimigos do passado e um novo governo que está no poder, após a disputa entre católicos e protestantes, reluta na abertura, mas alguns amigos de antigamente e os atuais jovens fazem um mutirão e tudo volta a ser como antes no local. O sucesso é imediato, vindo jovens até de outras cidades para a inauguração. A igreja católica, representada pelo padre Sheridan, não gosta nada disso e promete punir as pessoas que lá estiveram. Na intimidade, Sheridan admira a força e o caráter desse personagem, quase como os primeiros mártires católicos. Contudo a Igreja tem grande força política e não pode consentir com as ideias libertarias e ateias de Jimmy, consideradas comunistas com a Rússia de Stalin a todo vapor. No Hall eles têm aulas de arte, literatura e boxe, além dos bailes bastante inocentes. Quando partiu, deixara uma namorada que amava e continua amando, a jovem Oonagh, agora casada e com dois filhos, mas também apaixonada por ele. Esse amor será revivido sem qualquer vínculo maior. Ele não pode mais aceitar que os camponeses sejam despejados de suas casas pelos nobres e colocados na rua com seus pertences. É um líder do movimento dos sem-terra da época, pois estavam nelas há várias gerações, trazendo comida e conforto para a cidade. Mais do que nunca padre Sheridan entrará em agitações graves com ele, até que seja extraditado para os Estados Unidos para sempre, em 1932. Jimmy alertou, contudo, sobre o crack de 1929 e a forte repressão que pesara sobre aquele país e o mesmo poderia acontecer na Inglaterra. Sua prisão é dramática, entretanto a juventude local o acompanha até o momento final. Sua mãe é interrogada, mas continua sendo aquela mesma mulher de fibra e que não se dobra. Seu filho sente orgulho dela. Nos créditos finais vemos que morou em Nova York até 1941, quando morreu, deixando um belíssimo legado para a juventude, ou seja, liberdade de expressão, diálogos inteligentes e educação, que farão toda a diferença nas mudanças de classes sociais e na própria felicidade dos indivíduos. Ótimo filme com composições do square-dancing (quadrilha) e do fabuloso Jazz, das profundezas da África, como dizia o padre. Belíssimas músicas. Imperdível. 

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

PHOENIX DE CHRISTIAN PETZOLD







PHOENIX, ALEMANHA, POLÔNIA, 2014, 98 MIN., DRAMA
ELENCO:
NINA HOSS – NELLY LENZ
RONALD ZEHRFELD – JOHNNY LENZ
NINA KUNZENDORF – SRA. WINTER
O diretor e roteirista Christian Petzold foi indicado pelo filme Barbara a concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2013. Em Phoenix, ambientado no final da Segunda Guerra Mundial, alguns judeus que sobreviveram gostariam de voltar para a Palestina, a fim de formar um país que os acolhesse. A Sra. Winter é uma dessas pessoas. O filme começa com ela dirigindo um belo carro tendo como passageira uma mulher com o rosto coberto de bandagens e sangue. Trata-se de sua amiga também judia, Nelly, que saiu do campo de concentração. Tendo levado um tiro no rosto e considerada morta, estava a caminho de uma clínica de cirurgia plástica. Seu objetivo é encontrar seu marido Johnny, apesar de ter sido alertada que ele a entregara aos nazistas. Apaixonada, logo depois de deixar o hospital, desiste de sua ida a Israel e sai em busca de Johnny. Não é difícil encontrá-lo na bombardeada Berlim, pois trabalhava em uma casa noturna, Phoenix, do lado americano. Ele não a reconhece e a partir desse momento começa um jogo de deslealdade por parte desse homem brutal. Achando que ela tinha o porte de sua ex-mulher, propõe-lhe que se passe por Nelly e receba toda a herança da família que havia sido dizimada. Cada um ficaria com a metade do valor. Apesar disso não mede esforços para convencê-lo a deixar que ela ficasse em sua companhia. Com o passar da trama, em seus planos, ela teria de chegar à estação ferroviária de onde o casal morava, cumprimentar certas pessoas que conheciam e partir para o recebimento do dinheiro. Alertada pela amiga que a salvou, começa a ligar alguns pontos e passa a reconhecer seu caráter verdadeiro. No final, quando tudo deu certo como haviam ensaiado, o filme atinge seu turning-point e acaba bruscamente.  Não haveria possibilidade de outro final mais adequado. Ótimo filme.  Ótimo elenco destacando-se Nina Hoss.