BRASIL, 2015, 112 MIN. DRAMA
ELENCO:
REGINA CASÉ – VAL
CAMILA MÁRDILA – JÉSSICA
MICHEL JOELSAS – FABINHO
KARINE TELES- PATROA
LOURENÇO MUTARELLI – PAI DE FAMÍLIA
Diretora dos ótimos Durval Discos
e É Proibido Fumar, Anna Muylaert compõe este filme, Que Horas Ela Volta?,
baseado na relação com sua babá, que ganhou vários prêmios como de melhor
atriz, Regina Casé e Camila Márdila, no festival americano de Sundance e prêmio
de público no Festival de Berlim. Talvez seja indicado ao Oscar de Melhor Filme
Estrangeiro. É uma história emocionante que vem de longa data neste nosso
Brasil pós-colonial, desde casa grande e senzala. O peso da atuação de Regina
Casé é fundamental para o desenrolar da trama, passando uma grande carga de
emoção. Val (Regina Casé) é uma pernambucana que trabalha há anos em um casarão
no Morumbi e uma espécie de faz tudo. Criou o filho da patroa que é mais
apegado a ela do que aos pais, uma segunda mãe. Com Val discute seus problemas,
é considerado inteligente e lindo, ainda mais, quando não consegue dormir
procura a segurança em sua ex-babá. A família não se mexe do lugar nem para
pegar um simples copo de água, tudo é atendido com solicitude pela empregada
que não para um minuto sequer e sabe bem qual seu lugar na casa: em um
quartinho pequeno e mal ventilado. Contudo, com o mito brasileiro, é
considerada “da família”. As coisas começam a mudar quando recebe um telefonema
da filha, Jéssica, pois Val fora obrigada a deixá-la em Pernambuco e ser criada
por outra pessoa, enviando quase todo seu salário todos os meses por mais de 12
anos. Há três anos não se falavam e a garota vai prestar vestibular na FAU para
arquitetura e quer ficar com a mãe. Começa a tensão social. Jéssica é inteligente,
teve ótimos professores, gosta de ler e deseja a verdadeira cidadania para a
qual está preparada. Ao chegar, a patroa não gosta dela, mas é obrigada a
hospedá-la no quarto de hóspedes por sugestão do marido, que havia se encantado
com Jéssica, por sua segurança, articulação e maturidade. Val fica desesperada
com as atitudes da filha e principalmente pelo fato de ela “não saber o seu
lugar” nesta cruel sociedade paulistana. Tudo é proibido, da comida e
principalmente à piscina. Conflitos ocorrem e a garota resolve, na véspera do
vestibular, sair da casa e ir para um canto qualquer. O interessante é que
apesar da filha ser desprestigiada, Val continua amorosa e orgulhosa de
Fabinho, sem conflitos pela intensa convivência que tiveram a vida toda.
Fabinho, mimado, não passa no vestibular e Jéssica, solitária nessa ocasião tão
angustiante, passa com pontos de folga. A constrangida empregada nem sabe como
dar a notícia, mas está repleta de orgulho e satisfação. Jéssica, através de
suas atitudes, muda as expectativas de vida da mãe e a convence que o futuro
poderia ser melhor através da convivência das duas e de outro tipo de vida.
Ótimo filme, com cenas muito bem resolvidas e espirituosas. O desempenho de
Regina e Camila é muito convincente e nada estereotipado. Ótima direção e
roteiro. Como curiosidade, vejam que, durante uma festa, Val oferece salgados e
doces para os convidados e eles sequer olham para ela. É um ser invisível.
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