domingo, 10 de novembro de 2013

CAPITÃO PHILLIPS DE PAUL GREENGRASS

CAPTAIN PHILLIPS, EUA/2013, 134 MIN. DOCUDRAMA
ELENCO:
TOM HANKS – CAPITÃO PHILLIPS
BARHAD ABDI – MUSE, O MAGRO
FAYSAL AHMED – NAJEE
MAHAT M. ALI - ELMI
CATHERINE KEENER – ESPOSA DO CAPITÃO

Esse espetacular docudrama dirigido pelo inglês Greengrass é um dos melhores filmes do ano.  Seu pai era da marinha mercante e seu irmão é historiador. Somando todos esses fatos e ao seu sucesso em Voo United 93 e  A Supremacia Bourne temos, agora, um filme arrepiante e revelador do estado em que se encontra a Somália, depois de anos de guerra civil e domínio de corruptos que obrigam seus pescadores desnutridos a tornarem-se piratas ferozes, apesar da subnutrição, no ano de 2009. O que conta, aqui, é a sobrevivência, pois ao contrário seriam mortos em seu próprio país.  O filme começa com o capitão se preparando cuidadosamente para mais uma viagem perigosa à África, levando alimentos para esses povos, inclusive os somalis, por serem águas altamente pirateadas. Para alguns países prejudicados por acordos comerciais e por receberem esgoto dos grandes navios, tornaram-se paupérrimos, com os melhores trechos de suas águas exclusivas para pesca das nações ricas e ficando com peixes miúdos e sem valor. Philiphs sabe desses problemas e tenta manter um foco de precisão para evitá-los e, quando de sua partida em direção ao Chifre da África. Conversa com sua esposa sobre a família e a preocupação com um dos dois filhos que não queria estudar. Ao mesmo tempo vemos os magérrimos somalis tomando as mesmas decisões, porém em sentido contrário, pois queriam atacar um navio que viajasse sozinho, grande e com carga valiosa. No radar identificam o cargueiro Maersk Alabama e dois grupos de quatro  rapazes é escolhido para fazer a abordagem. Não levam comida, mas ervas para mascar e dar maior lucidez. Impensável pela disparidade de tamanho e tecnologia, os somalis armados de rifles AK-47 e nada mais, vão para cima do navio mercante, mas são obrigados a voltar, pois o motor de sua pequena embarcação de madeira falhara, mas não pensam em desistir, pois seria impensável voltar sem nada. No retorno o imprevisível acontece, dois jovens e um adolescente se aproximam do navio e conseguem desembarcar no convés, deixando a tripulação apavorada, uma vez que estavam desarmados. Escondendo-se na casa de máquinas, somente os três rapazes e o capitão com seu auxiliar irão começar a mais eletrizante mediação. O líder, o espetacular Barkhad Abdi, na pele de Muse, o Magro, sabe o que faz e exige o máximo de diplomacia do experiente capitão que poderia ser seu pai. São momentos longos e tensos, pois eles a princípio levam vantagem contando com a lei da sobrevivência e não ter nada a perder. Aos poucos o drama se intensifica de tal maneira que a Marinha dos Estados Unidos é forçada a entrar em ação. Fica a desproporção do navio e todo o auxílio dos americanos, por terra e ar e uma casquinha de nós cor de laranja, onde acabam ficando os jovens que levam como refém o capitão. Trechos de diálogos muito curtos, mas derradeiros são trocados entre esses 4  homens do mar. Muse se mostra destemido, inteligente e intrépido, afrontando o veterano Philiphs. Isso foi baseado no livro do próprio capitão “A Captain’s Duty”, onde narra essas cenas inesquecíveis. Abdi chegou aos Estados Unidos através do Iêmen, instalando-se em Minnesota, onde quer ser diretor de cinema. Arrastou consigo os outros astros negros do filme. Esse rapaz de 28 anos não fica nada a dever ao desempenho espetacular de Tom Hanks. O filme faz questão de mostrar a impossibilidade de progresso na Somália, ocorrido com acordos que inviabilizam a pesca ou outras atividades no país, além dos crimes altamente arriscados, fazendo com que uma enorme soma em dinheiro seja entregue para libertar as embarcações. Absolutamente imperdível e provavelmente irá lucrar vários prêmios em festivais internacionais.    

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

PEDALANDO COM MOLIÉRE DE PHILIPHE LE GUAY

ALCESTE À BICYCLETTE, FRANÇA, 2011, 104 MIN., COMÉDIA.
ELENCO:
FABRICE LUCHINI  - SERGE TANNEUR
LAMBERT  WILSON – GAUTHIER VALENCE
MAYA SANSA – FRANCESCA
Essa inteligente comédia francesa tem como pano de fundo a peça “O Misantropo” de Moliére, a qual é ensaiada por dois grandes atores e esse texto clássico importante penetra todo o filme, dando um toque de classe, sobre o que se espera da humanidade de uma maneira geral, tanto naquela época como hoje. A peça trata de diálogos entre dois amigos, Alceste, o filantropo do título, um homem exageradamente contra tudo e seu amigo Philinte, que tenta leva-lo à razão. O filme começa com um ator de televisão e cinema muito bem sucedido, Gauthier Valence, que deseja dirigir e atuar sua primeira peça de teatro como diretor. Pensa em Serge Tanneur, um grande ator que no final de sua carreira resolve largar tudo e ir morar em uma casa em Île de Ré, herdada de um tio. Tornara-se um eremita e, depois de seis anos, recebe a visita do amigo convidando-o a encenarem o texto de Moliére, considerado seu melhor trabalho. Serge imediatamente descarta a possibilidade, uma vez que considera o meio artístico um lugar horrível, onde só teve grandes decepções. Aos poucos Gauthier o convence de ao menos lerem o texto por quatro dias, para que ele pense melhor. O resultado é o esperado, pois Serge atira-se ao personagem Alceste de corpo e alma. Ocorre que esse personagem era também o preferido de Gauthier, mas bolam um plano em que eles se alternariam toda semana, dando oportunidade para que os dois o representassem. Serge é muito parecido com Alceste e o faz à perfeição, exigindo muito de seu amigo, a quem resolve zombar, criando uma verdadeira guerra de egos. Exemplo? Em uma fala em que Alceste está decepcionado com a qualidade dos homens ao seu redor e da humanidade, terá de responder: Sim, sinto um ódio “medonho” pela humanidade, mas Gauthier, menos purista, sempre usa outro adjetivo que não medonho, irritando profundamente o amigo. Entre esses ensaios conhecemos a ilha, uma bela mulher italiana que se envolve com eles e até uma jovem atriz pornô. Isso traz vida a Serge, mas diminui a qualidade da comédia. Tudo acertado, só falta avisar seu agente em Paris para que dê prosseguimento ao espetáculo. No terço final do filme há uma reviravolta muito interessante e o desfecho será bastante curioso, no mínimo. Diálogos rápidos e inteligentes permeiam esse filme com cenas bastante densas tiradas da peça. Belo trabalho do diretor e ótimo desempenho dos artistas, com um roteiro interessante e mais crítico do que das comédias atuais. O filme Aventuras de Moliére, 2007, já havia sido representado por Fabrice Luchini o que facilitou o seu desempenho e o ajudou na manipulação do roteiro, junto ao diretor.


O MORDOMO DA CASA BRANCA DE LEE DANIELS

THE BUTTLER, EUA/2013, 132 MIN., DRAMA
ELENCO:
FOREST WITAKER – CECIL GAINES
OPRAH WINFREY – SRA. GAINES
CUBA GOODING JR.

Esse drama aborda a luta pelos direitos civis dos negros em uma América fortemente racista dos tempos de Eisenhower e notadamente nos anos 50 e 60, quando eles determinam que já havia passado do tempo para que fossem considerados verdadeiros cidadãos americanos. O filme tem como pano de fundo um mordomo, inspirado em Eugene Allen, que no ano de 2008 recebeu do The Washington Post um magnífico artigo. O trabalho todo tem a visão negra da América e é bastante tenso. Cecil Gaines nascera no Sul dos Estados Unidos. Seus pais e ele trabalhavam em uma plantação de algodão, quando esse menino vê o dono da fazenda estuprar sua mãe e matar seu pai por defendê-la. É entretendo recolhido como “house nigger”, um termo pejorativo fortíssimo, pela avó do rapaz e aí aprende toda a eficiência de um servil empregado ou garçom. Na juventude resolve sair pelo mundo, o que não foi fácil, e passando fome quebra a vitrine de uma confeitaria para comer. Por sorte é descoberto pelo gerente negro, que não só o contrata, mas ensina a coisa que maior valor terá em sua trajetória – era necessário ter duas faces diante dos brancos, uma servil e outra séria, mas essa só entre eles para reivindicar a posição real de trabalhadores, enfim homens livres. Depois desse emprego ele é indicado para um hotel de luxo em Washington, onde forma uma família com sua mulher Glória, Oprah Winfrey em ótima atuação, e dois filhos educados com esmero e dedicação. Tem um bom carro e sua casa é de classe média. Quando vai para a Casa Branca, torna-se um dos melhores em seu meio, chegando a se aposentar como “maitre d’hotel”.  Seu primogênito é rebelde e não segue as regras de sobrevivência ensinadas pelo pai, indo fazer faculdade em Fisk, onde se une a outros jovens que liderariam Os Panteras Negras e se envolveriam com King, coisa que Cecil certamente gostaria de ter feito. Ele havia começado com Einsenhower, tendo passado por vários presidentes até Nixon. Sabia de muitas coisas e ouvia os grandes segredos que não revelava à sua insatisfeita esposa. Podemos ver alguns fatos importantes como o assassinato de Martin Luther King em Menphis, 1968, que julgava os servidores domésticos uma peça chave na política de direitos humanos, o homicídio de Kennedy até Nixon, cuja mulher é representada pela classuda Jane Fonda. É um episódio da história americana tenso e interessante, O filme termina perto de 2010 quando morreu, mas ainda pode ver Barak Obama, um negro, eleito para a presidência dos Estados Unidos, no dia da morte de Glória. Há alguns críticos de cinema, bastante respeitados por mim e por todos, que não gostaram da abordagem feita pelo diretor. É ver para conferir! Ótimo programa.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

OS BELOS DIAS DE MARION VERNOUX

LES BEAUX JOURS, FRANÇA/ 2013, 94 MIN. COMÉDIA
ELENCO:
FANNY ARDANT – CAROLINA
LAURENT LAFITTE - PROFESSOR DE INFORMÁTICA
PATRICK CHESNAIS - MARIDO
JEAN-FRANÇOIS STÉVENIN
Essa interessante comédia, que só poderia ser francesa, foi baseado no livro Une Jeune Fille aux Chevaux Blancs de Fanny Chesnel, que é a roteirista do filme e discute um triângulo amoroso. A diretora Marion Vernoux escolhe como heroína a formosíssima musa da Nouvelle Vague, Fanny Ardant, que em hipótese alguma perdeu sua beleza e encantamento. Ela faz o papel de uma avó, aos sessenta anos, casada, com duas filhas nos seus trinta e tantos anos e dois netos. Essa dentista, agora aposentada, ganha das filhas um cupom para frequentar um clube de terceira idade chamado Les Beaux Jours. Mas elas não conheciam, mesmo, o potencial dessa mulher. Para esse enredo só uma pessoa que, mesmo na terceira idade, continuasse bela, cheia de vida e com um corpo perfeito como Fanny. Lá chegando não gosta do ambiente e sai, prometendo a si mesma não mais voltar. Contudo, com um problema no seu computador e não sendo dessa geração mais antenada com computadores, resolve ir tirar suas dúvidas com o professor de informática de lá, um homem da idade de suas filhas. Rola entre eles uma atração, a qual ela faz questão de manter acessa, uma vez que já não se considerava capaz de sentir mais algo semelhante. Ele, com grande facilidade, entra nesse jogo de sexualidade casual, pois era hipersexualisado e qualquer mulher bonita era uma  chance. Mas Caroline não é só bela, é refinada, aumentando sua atração. Ela continua frequentando as aulas e faz grandes amigos. Conflitos, pela diferença de idade, aparecerão desde o princípio da trama e ambos sabem que aquilo pode acabar de uma hora para outra. Caroline, todavia, rejuvenesce e um intenso brilho no olhar se instala. Ela torna-se descuidada, uma fatalidade, pois morava na pequena cidade portuária de Calais, onde todos se conheciam. Obviamente o romance não acaba em um “happy end” para ela, mas o sentimento e a capacidade de desejar ardentemente tornam sua vida muito melhor. Ótima comédia, mas atenção sessentonas que desejam um lindo gato! Isso não funciona para qualquer uma, há de se ser bela ou poderosa e ter uma ótima cabeça para o desfecho, sempre deficitário para a mulher. Com os homens isso ainda é bem diferente!


terça-feira, 22 de outubro de 2013

OS SUSPEITOS DE DENIS VILLENEUVE

PRISIONERS, EUA/2013, 153 MIN., THRILLER
ELENCO:
HUGH JACKMAN – DELLER DOVER
TERRENCE HOWARD – PAI AFRODECENDENTE
JAKE GYLLENSHAAL – DETETIVE LOCKI
PAUL DANE – ALEX JONES
MELISSA LEO – HOLLY JONES (TIA DE ALEX)
ANNA E JOY - MENINAS
O diretor canadense, Denis Villeneuve, aproveita-se de um tema, infelizmente corriqueiro nos dias atuais e escrito por Aaron Guzikowski, para nos envolver por quase duas horas em uma trama desesperadora. O assunto é o sequestro e molestamento de menores. O ponto de vista da história parte dos pais e da polícia, mas é muito interessante que se pense também nos motivos que levam alguns adultos a raptarem e abusarem de crianças. Tudo fica ainda mais terrível e dramático, pois são pessoas doentes e cruéis e vê-se que o diabo, na maioria das vezes, não está confinado em uma única pessoa ou ações. Num pacato e gelado bairro da Pensilvânia dois amigos, com filhos e esposa, confraternizam-se na casa de um deles, no dia de Ação de Graças. Está muito frio, chovendo, mas Dover leva um veado que caçara com seu filho adolescente para o almoço. É um homem tenso que venerava o pai, cujo conselho principal era “estar sempre preparado para o que viesse”, mesmo no dia a dia. Isso Keller Dover passa ao filho no início da trama. Tornar-se-ia realmente um bom conselho, uma vez que sua filha de seis anos e sua amiga desaparecem durante aquela tarde, nesse dia especial. Com muita gente a procura delas, não há vestígios e os casais se desesperam de maneiras diferentes. O atormentado e religioso Dover havia visto um jovem com deficiência mental, dirigindo e estacionando seu trailer perto das casas. Não encontrando as meninas, seguem para a casa da tia do jovem a qual afirma que ele não representava o menor perigo, pois tinha idade mental de 10 anos. Nesse ínterim entra o principal personagem do filme, o detetive Locki, o ótimo Jake Gyllenshaal, que vai atuar como um filtro dos dados e excessos que serão cometidos. Os pais de Joy mostram-se mais serenos e fortes emocionalmente, em contradição aos de Anna. Sua mãe fica de cama a custa de calmantes e o pai enverada para o suplício de Alex Jones, uma vez que fora o último a ver as meninas. Trancafiado, é torturado por Keller Dover para horror dos outros pais e para ele mesmo, pois sua consciência e devoção não o deixam pensar e agir com clareza. Essa é quase a metade do drama que terá vários outros elementos aterradores, prendendo o espectador na cadeira.  Um clássico do gênero, talvez tenha a chance de obter algum prêmio com esse grande elenco.  Para quem gosta desse tipo de filme é imperdível.


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

SERRA PELADA DE HEITOR DHALIA

BRASIL/2013, 100 MIN. DRAMA
ELENCO:
JULIANO CAZARRÉ – JULIANO
JÚLIO ANDRADE – PROFESSOR
WAGNER MOURA – RICO
MATHEUS NACHTERGAELE – DOUTOR
SOPHIE CHARLOTTE – PROSTITUTA
Este ótimo filme de proporções cenográficas quase nunca vistas no Brasil descreve o maior garimpo a céu aberto do mundo, do qual foram extraídos 30 toneladas de ouro. Situado no sul do Pará, em plena selva amazônica, nos anos 80 atraiu milhares de aventureiros que queriam enriquecer rapidamente. Foi explorado quase a exaustão e hoje é um lago de 200 metros de profundidade, ainda contendo minerais preciosos. Heitor Dhalia aproveitou-se de um fato comentadíssimo Brasil a fora para elaborar uma obra de grande relevância. Nos anos de extração do ouro no local, dois amigos Juliano, solteiro, e o Professor, casado com uma mulher para dar a luz, não veem perspectiva para suas vidas e resolvem partir para o sul do Pará a fim de enriquecer, mesmo sem saber ao certo como aquilo funcionava. É uma obra de grande violência na qual irão emergir nossos heróis que terão suas vidas e personalidades transformadas. Ao chegarem observam, naquele formigueiro humano, que havia uma hierarquia. “Os formigas”, recém-chegados e sem dinheiro, é que farão o trabalho pesado de carregar nas costas sacos de 30 quilos de lama morro acima, dos quais serão extraídas as pepitas de ouro. Esses barrancos são de propriedade de empresários, pessoas imorais e com dinheiro, que ficarão com a maior parte do lucro. Era uma terra sem dono e sem lei, onde a morte violenta era a predominância. Lá havia homens gananciosos, exploradores, explorados, bichas brutais, prostitutas, muita bebida, armas e drogas. Um mundo a parte de tudo! Com mais formação do que a maioria, esses amigos-irmãos, dão-se bem e logo conseguem guardar algum dinheiro. Mas o local muda a visão de Juliano, que ao cometer o primeiro assassinato para salvar o amigo, fica deprimido, pois gostara do que fizera. A partir daí a violência e sede de poder o dominará completamente, mostrando um lado muito cruel que não conhecia. O Professor queria ficar rico para dar uma vida melhor à filha e à esposa.  Juliano poder! Bom de contas e raciocínio, Julio Andrade, é o cérebro do negócio. Cada vez ganhando mais Cazarré conseguirá, com outros assassinatos, tornar-se o dono do barranco corrompendo a si mesmo e a sua amizade com o velho amigo. Mas esse lugar apavorante não tem rei por muito tempo e as coisas vão mudando de mão, até vermos um Wagner Moura, semi-calvo e de bigodinho, num ótimo trabalho, dando as cartas nas cenas finais. Nachtergaele e Sofhie também em ótima performance. Gazarré é a alma do filme, com suas expressões enigmáticas e uma excelente atuação. Júlio Andrade também não fica atrás dos outros artistas, que compõem um quadro verdadeiramente assustador. Nessa época da ditadura militar, isso representava uma opção de ganhar dinheiro, mas com enormes perdas morais e sociais. Ótimo filme do diretor Heitor Dhalia, que também é responsável pelo roteiro com Vera Egito. Com dificuldades logísticas para ser filmado inteiramente no norte, uma antiga mineração de Mogi das Cruzes, em São Paulo, foi adaptada e as cenas de cabarés e prostíbulos foram feitas em Belém. Um longa metragem que poderia representar o Brasil em qualquer festival internacional.  Diretor de O Cheiro do Ralo, Dhalia faz grandes trabalhos psicológicos. O filme é imperdível. É o nosso Le Capital Caboclo, que está comentado neste blog.